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19 de out de 2011

Prática pedagógica com crianças deficientes visuais

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O défice visual traduz-se numa redução da quantidade de informação que a criança recebe do meio-ambiente, restringindo a quantidade de dados recebidos e que são de extrema importância para a construção do conhecimento.

É considerada deficiente visual toda a criança cujas dificuldades visuais afectem a aprendizagem.

A criança deficiente visual pode enquadrar-se em três situações: cegueira (ausência total de visão), visão residual ou sub-visão (acuidade visual inferior ou igual a 0,1 no melhor olho) e visão parcial (acuidade visual superior a 0,1 até 0,5).

As crianças com défice visual encontram dificuldades na percepção de vários aspectos visuais: objectos situados em ambientes mal iluminados, objectos ou materiais colocados sobre fundos de cor semelhante, objectos e seres vivos em movimento, profundidade, formas compostas, representações de objectos tridimensionais e formas desproporcionadas. Têm assim, problemas de coordenação visual e motora, percepção do contraste figura-fundo, constância da forma, da posição do espaço e das relações espaciais.

Este conjunto de factores constitui um entrave à aprendizagem, condicionando-a; daí que tenhamos que proporcionar um ambiente favorável à aprendizagem destas crianças, que deve obedecer a determinadas condições, tais como:

- A iluminação - qualquer ambiente que rodeie o deficiente visual deve proporcionar-lhe a máxima visibilidade, sobretudo quando este tiver de executar trabalhos que impliquem pequenos pormenores. Uma tarefa pode tornar-se simples ou complexa em função da iluminação ambiente.

- As ampliações - tudo aquilo que é apresentado à criança (imagens, caracteres, palavras, frases ou textos) deve ser redimensionado em tamanho bastante grande, para que ela possa ver bem. O que é escrito, no quadro ou no seu caderno, também ter um tamanho grande - as letras devem ser claras e uniformes e os espaços entre as palavras devem ser também uniformes, assim como o espaço entre as linhas, para facilitar a leitura.

- As representações em relevo - é preferível mostrar à criança os objectos reais em vez de imagens que os ilustrem, pois ela poderá manipulá-los e ter uma melhor percepção daquilo que vê.

- A estimulação visual - a criança pode "aprender a ver" a partir de tarefas visuais individualizadas e motivantes que passem por: facultar-lhe objectos de cores fortes e brilhantes, despertando a sua atenção para os pormenores dos mesmos; focar a sua atenção em objectos em movimento que estejam perto e se destaquem, fazendo-os entrar no seu campo visual; desenhar objectos grandes, com cores fortes e luminosas e explorá-los com a criança (à medida que a sua acuidade visual for aumentando, vai-se diminuindo o tamanho dos desenhos, tornando-os mais esquemáticos e aplicando-lhes contornos e mais pormenores); mostrar-lhe desenhos que indiquem acção e pedir-lhe que imite os movimentos inerentes às acções visualizadas, que indique as diferenças entre as pessoas e os objectos dos desenhos ou entre os animais e as pessoas).

- O contraste - revela-se crucial para uma maior legibilidade que exista um grande contraste de cor entre as letras ou imagens e o fundo sobre o qual estão expostas. Preferencialmente, devem ser usadas letras claras sobre fundos escuros (amarelo ou branco sobre preto ou azul escuro).

Depois de criadas as condições que possibilitam a aprendizagem, devem ser realizadas tarefas lúdicas, que motivem a criança.

Tudo o que for material manipulável, com poucos pormenores será um incentivo para a criança.

Posto isto, devem ser realizadas tarefas do tipo (sem nunca esquecer de ampliar, tanto as imagens como as palavras):

  • jogos de associação de palavra imagem ou imagem objecto;
  • jogos de associação de números - quantidade (de preferência com objectos para representar as quantidades);
  • contagens com materiais (lápis, canetas, tampas, rolhas, etc.);
  • números grandes para ordenar, de forma crescente e decrescente (numa fase posterior);
  • jogos tipo loto de leitura (sempre com tamanhos ampliados);
  • dominó (com peças grandes);
  • representações do corpo humano grandes, que a criança possa reconstruir ou vestir;
  • puzzles;
  • tangram (em tamanho grande);
  • labirintos grandes;
  • livros com peças de encaixe;
  • letras ou sílabas móveis para formar palavras;
  • jogos de expressão musical e expressão dramática que tenham como objectivo a desinibição do aluno e a imitação do mundo real;
  • pinturas e desenhos em folhas grandes (de preferência realizados em parceria com um adulto).

Esperamos que estas informações e propostas o(a) ajudem na sua prática pedagógica, contribuindo para o desenvolvimento destas crianças.

Nunca se esqueça de que elas vão precisar sempre de realizar tarefas adequadas às suas necessidades, para que não se desmotivem.

Às vezes, a falta de motivação é a principal causa dos seus problemas.
O seu ritmo e as suas condições especiais de aprendizagem devem ser sempre respeitadas.

    Nota: As crianças com cegueira total, devem aprender o Braille, pois este é uma mais valia para elas e um grande facilitador da aprendizagem.
FONTE: http://www.junior.te.pt/servlets/Gerais?P=Pais&ID=2426

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"Muitas mudanças ocorreram nos últimos vinte anos, quando teve início a prática da Baixa Visão em nosso país. O oftalmologista brasileiro, porém, ainda não se conscientizou da responsabilidade que lhe cabe ao determinar se o paciente deve ou não receber um tratamento específico nessa área. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes atendidos e tratados permanece sem orientação, convivendo, por muitos anos com uma condição de cegueira desnecessária." (VEITZMAN, 2000, p.3)

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FONTES PARA PESQUISA

  • A VIDA DO BEBÊ - DR. RINALDO DE LAMARE
  • COLEÇÃO DE MANUAIS BÁSICOS CBO - CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA
  • DIDÁTICA: UMA HISTÓRIA REFLEXIVA -PROFª ANGÉLICA RUSSO
  • EDUCAÇÃO INFANTIL: Estratégias o Orientação Pedagógica para Educação de Crianças com Necessidades Educativas Visuais - MARILDA M. G. BRUNO
  • REVISTA BENJAMIN CONSTANT - INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT