Contudo, ao transitar para a escola comum, essa jornada encontra desafios estruturais e atitudinais significativos. A inclusão muitas vezes esbarra na falta de preparo das instituições e na insegurança dos professores regentes. Essa insegurança é um dos principais desafios, mas pode ser sanada através do conhecimento e da conscientização do processo total: d
esde a estimulação inicial até a inclusão propriamente dita. Quando o professor compreende as funções das instituições — por que elas existem (para instrumentalizar), como funcionam (através de atendimentos especializados) e para que servem (para garantir a base de autonomia) — o medo do desconhecido dá lugar à parceria técnica. Segundo Bueno (1993), a função das instituições especializadas é atuar como centros de suporte e recursos para a inclusão no ensino regular, garantindo que o aluno obtenha aquisições graduais em cada etapa. Complementarmente, Bruno (1997) ressalta que a conscientização do professor é o primeiro passo para que ele deixe de ver a deficiência e passe a ver as possibilidades pedagógicas do aluno.
Nesse processo de instrumentalização, o aluno aprende a gerenciar uma ampla gama de Recursos que se dividem entre auxílios ópticos e auxílios não ópticos. Os auxílios ópticos (como lupas de mão, de mesa, telescópios e lentes especiais) são utilizados para ampliar a imagem ou melhorar a focagem conforme o resíduo visual. Já os auxílios não ópticos são modificações ambientais ou materiais que facilitam o acesso à informação e o conforto visual. Entre eles, destacam-se o uso de luminárias para controle focal de luz, fundos pretos emborrachados e jogos americanos para forrar a mesa, evitando o brilho e o reflexo que ofuscam a visão. Na escrita e no registro acadêmico, utilizam-se instrumentos que favorecem o contraste, como lápis de grafite 4B ou 6B (mais escuros e macios) e canetas de ponta porosa ou hidrográficas, preferencialmente na cor preta, que garantem um traço mais espesso. Para o controle da luminosidade, utiliza-se o uso de filtros (ópticos ou sobreposições coloridas) e acessórios de proteção como viseiras e viseiras laterais, que barram a incidência de luz indesejada. Além desses, utilizam-se planos inclinados, letras ampliadas, livros didáticos serializados e fones de ouvido para alternar entre a leitura visual e auditiva. É fundamental compreender que existem muitos outros recursos que são prescritos e adaptados de acordo com a necessidade específica de cada criança, garantindo que ela chegue à escola comum sabendo gerir sua própria eficiência.
Nesse cenário de Serviços, a figura do Professor Itinerante (quando disponível no sistema educacional) exerce uma participação ativa, atuando como o elo entre a instituição especializada e a escola comum. O Itinerante orienta o professor regente na adaptação de materiais e na condução das atividades, acompanhando o aluno em sala para garantir que o uso de todos esses auxílios ópticos e não ópticos esteja sendo eficaz. O compromisso dos profissionais da área é garantir que as pessoas com dificuldades visuais tenham oportunidades reais de se tornarem indivíduos independentes, cidadãos úteis e participativos. Conforme aponta Mantoan (2003), a inclusão exige que a escola se adapte ao aluno, mas esse processo só é viável quando há um suporte especializado que garanta a equidade.
Essa fluidez só é plenamente alcançada através de uma relação íntima entre a instituição, a escola e a família. Os pais, ao serem orientados pela instituição, compreendem os “porquês” das dificuldades e transformam-se em parceiros fundamentais na aplicação do reforço pedagógico no lar. Assim, se as limitações de tempo da escola comum impedirem o processo integral, a parceria entre família e instituição no contraturno garante a recuperação de conteúdos pendentes. Em última análise, o sucesso desse processo reside na integração primordial de todos os envolvidos. O compromisso é garantir que a autonomia iniciada nos laboratórios se transforme em cidadania plena no mundo real. Como afirma Natalie Barraga (1983), o aprendizado é um mosaico de experiências integradas; e é nessa união de esforços que o aluno constrói sua própria história com dignidade e independência, exercendo plenamente seu papel social como um cidadão produtivo.
Referências Bibliográficas:
ALMEIDA, M. G. A formação do professor. São Paulo: Cortez, 2005.
BARRAGA, Natalie. Desenvolvimento da Eficiência Visual. SP: FDN, 1983.
BRUNO, M. M. G. Deficiência visual: reflexão sobre a prática pedagógica. SP: Laramara, 1997.
BUENO, J. G. S. Educação Especial Brasileira: Integração/Segregação. São Paulo: PUC, 1993.
FIGUEIREDO, R. V. A formação de professores para a inclusão escolar. Petrópolis: Vozes, 2010.
GASPARETTO, M. E. R. F. Visão subnormal: orientações pedagógicas. Brasília: MEC, 2010.
MANTOAN, M. T. E. Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.
SÁ, E. D.; GARCIA, I. M.; GALVÃO, N. C. Atendimento Educacional Especializado. Brasília: MEC, 2007.
SIAULYS, M. O. C. Brincar para todos. Brasília: MEC/SEESP, 2005.
VYGOTSKY, L. S. Obras Escogidas V: Fundamentos de Defectología. Madrid: Visor, 1997.

Una
nueva investigación por el Dr. Andrew Huberman, profesor asociado de
neurobiología en la Universidad de Stanford, ha alcanzado un nuevo
enfoque en el estudio de la regeneración neuronal en el