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19 de out de 2011

Reflexões da prática com famílias em processo de reabilitação


A prática da terapia ocupacional direciona no sentido de construir um cotidiano com maior sustentabilidade e significado às ocupações otimizando as oportunidades, incluindo os momentos delicados e difíceis que existem no processo de reabilitação. Destes momentos vêm as aprendizagens, o “como fazer”, “como perceber”. "Como segurar meu bebê? Como é melhor para eu ser segurado? Como brincar com ele/ como eu gosto de brincar?"
Essas descobertas são brotos de aprendizagem que irão nortear as relações que serão construídas em qualquer par ou grupo de pessoas. É o começo de uma história que será narrada pelos sentidos, movimentos e emoções. Uma via de muitas mãos, contemplando todos os envolvidos, criança, família e terapeutas.
Nas famílias com crianças que necessitam de cuidados especiais não é diferente. Na maioria destas situações o processo pode ser mais difícil, longo ou com maior gasto de energia. Talvez o passo mais difícil seja poder continuar a vida com todas as incertezas.
Vivemos em uma época que ciência e tecnologia estão mais presentes guiando o nosso comportamento. Uma época que aprendemos muito sobre “o que”, vindo pelas terminologias de diagnósticos, pelas estatísticas comprovando a eficácia de inúmeras metodologias, pelos exames e equipamentos de última geração. Que sejam bem vindos! Mas acredito também que continua valendo o aprender “como” o cotidiano de cada pessoa será a partir daquele instante em que se entra em contato com um diagnóstico, ou como colocar em prática uma nova metodologia, tendo o cuidado em perceber o tempo de cada um para refazer a sua vida, continuamente.
Cada vez mais precisamos elaborar programas para as famílias incorporarem as sugestões terapêuticas de forma prática e brincar espontaneamente com seus filhos, como todas as crianças merecem e precisam. O que torna difícil talvez seja a singularidade do processo de cada um e os diversos contextos familiares e terapêuticos. Há famílias que querem continuar as terapias em casa. Outras que não têm tempo, mas se cobram, ou aquelas que valorizam o brincar espontâneo sem estratégias terapêuticas. Da mesma forma há terapeutas com práticas diferentes. Há as que cobram que as mães continuem a terapia em casa e há aquelas que incentivam o brincar como consequência de toda vivência e aprendizado. É necessário contemplar todas as histórias e expectativas para se chegar a um lugar comum. No mundo da reabilitação quando procuramos um lugar do fazer com sentido e significado o universo da terapia e do cotidiano ficam mais integrados. Com isso todos aprendem juntos.
Na prática com crianças que apresentam disfunção neuromotora é possível perceber o modo como interagem, o quanto necessitam de manuseio adequado para normalizar o tônus, dos materiais especiais e as inúmeras sugestões terapêuticas. Mas isso não servirá para nada se não houver o cuidado para olhar primeiramente para seus desejos, atitude e interesse. Facilmente podemos cair na armadilha da especialização. Que a técnica não fique em primeiro plano, mas que esta fique a serviço da vontade e da necessidade da criança e sua família.
O toque, o olhar, a facilitação de mudanças posturais, os brinquedos adaptados só fazem história se estiverem vinculados ao campo subjetivo e contextual da vida destas pessoas envolvidas no processo chamado de reabilitação.
Se a terapeuta conseguir dar conta do recado e a família se apropriar dos cuidados o brincar será integrado de forma mais natural. Tenho aprendido muito com as famílias. É cada solução maravilhosa que aparece! Fico feliz quando vejo uma mãe ou um pai criar um brinquedo adaptado que eu nunca tinha pensado. É sinal que virou aprendizagem e não ficou só no âmbito da “orientação”. Assim a família ganha autonomia e segurança para novas escolhas.


FONTE: http://terapiaocupacional-bethprado.blogspot.com/search?updated-max=2011-02-27T19%3A00%3A00-03%3A00&max-results=7

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"Muitas mudanças ocorreram nos últimos vinte anos, quando teve início a prática da Baixa Visão em nosso país. O oftalmologista brasileiro, porém, ainda não se conscientizou da responsabilidade que lhe cabe ao determinar se o paciente deve ou não receber um tratamento específico nessa área. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes atendidos e tratados permanece sem orientação, convivendo, por muitos anos com uma condição de cegueira desnecessária." (VEITZMAN, 2000, p.3)

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FONTES PARA PESQUISA

  • A VIDA DO BEBÊ - DR. RINALDO DE LAMARE
  • COLEÇÃO DE MANUAIS BÁSICOS CBO - CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA
  • DIDÁTICA: UMA HISTÓRIA REFLEXIVA -PROFª ANGÉLICA RUSSO
  • EDUCAÇÃO INFANTIL: Estratégias o Orientação Pedagógica para Educação de Crianças com Necessidades Educativas Visuais - MARILDA M. G. BRUNO
  • REVISTA BENJAMIN CONSTANT - INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT