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6 de jun de 2012

ESSA EXPERIÊNCIA MERECE SER DIVULGADA... CONCORDAM COMIGO?

Na simplicidade também se ensina


Coloco alguns livros velhos sob a mesa do João Vítor para torná-la mais próxima dele, então pode ver melhor.


Aluno João Vítor digitando no notebook, em sala de aula.


Aluno João Vítor, tentando ler e traçar - família do "l".
Colei uma cartolina em sua mesa e dei-lhe um pincel para escrever.

Como tenho alunos com baixa visão e a nossa Escola ainda não está totalmente adaptada, procuro formas para atendê-los, cada dia invento uma e graças à Deus tem dado certo!
Contribuir com a construção do conhecimento de meus alunos é a minha prioridade!

FONTE: http://sandelcris.blogspot.com.br/2011/04/na-simplicidade-tambem-se-ensina.html

A delicadeza entre querer e poder brincar - cuidados especiais nas brincadeiras de crianças com diminuição da visão em consequência a algum dano cerebral - parte II


De modo geral o que precisamos priorizar em um programa de intervenção :
-dar preferência por brinquedos com padrão de alto contraste e de cores vibrantes. Evidenciar o contorno dos objetos e imagens e enfatizar os detalhes para a construção da imagem mental. Tudo isso para potencializar a integração da informação visual durante as atividades cotidianas como brincar, hora do banho, hora de comer, pois além dos brinquedos, os utensílios de alimentação, higiene e vestuário devem ser cuidadosamente adaptados do ponto de vista visual.
Integrar a função visual em todas as atividades cotidianas incentiva a formação de novas redes neurais para a aprendizagem funcional e significativa

Muitos brinquedos podem ser confeccionados com materiais recicláveis. Com um pouco de imaginação, conhecimento e criatividade podemos fazer brinquedos interessantes de se ver.
-adequar iluminação do ambiente e objetos. Muitas vezes para manter a atenção a criança precisa brincar com iluminação reduzida ou um foco luminoso dirigido ao brinquedo, como por exemplo, iluminar o rosto da mãe para fazer brincadeiras face a face.
-manuseio* – esse é um termo comum para quem lida com pessoas com alteração da postura e movimento. O terapeuta especializado tem o domínio do manuseio e posturas, e fará vivências com a família dando dicas práticas para as atividades cotidianas. Além disso, quando tocamos alguém estamos interferindo de algum modo na sua ação e percepção. São trocas contínuas de temperatura, pressão, memória, humor, afetos. Por isso o nosso cuidado deve ser redobrado em crianças com baixa visão e disfunção neuromotora. É um diálogo, no mínimo, corporal. É importante para criança saber que vai ser tocada, o terapeuta perceber a permissão da criança, além de avaliar se existe algum distúrbio de modulação sensorial para a terapia não se transformar em momentos de tensão.
Dar oportunidades para descobertas diárias priorizando vivências com o tempo necessário. A exploração para aprender vem com a repetição natural e espontânea no brincar com significado.  “Treinos para estimulação visual” sem significado não são importantes. Por isso que o terapeuta e a família precisam descobrir junto com a criança situações contextuais para ela aprender a usar a visão residual brincando.
No brincar da criança com baixa visão de origem central o que mais chama atenção é o cuidado que devemos ter do momento mágico entre o querer e o poder. Precisamos refinar a nossa percepção para encontrar o momento e o jeito mais propício de favorecer um caminho de aprendizagem em constante descoberta e prazer. A intervenção do terapeuta ocupacional é buscar dar sentido as ocupações da criança e que estas sejam sustentáveis no sentir, movimentar, interagir, descobrir, repetir e aprender.
Que os ambientes, os objetos, as pessoas, e o próprio corpo sejam convidativos para ver e interagir.



FONTE: http://terapiaocupacional-bethprado.blogspot.com.br/search/label/baixa%20vis%C3%A3o

A arte pode ser feita por todos?


Um tema que penso sempre no meu trabalho de terapeuta ocupacional é de quanto a  arte pode influenciar o modo como fazemos o nosso cotidiano, nas simples atitudes. Quantas vezes prestamos atenção em como podemos criar uma estética própria?  E de como os processos do homem, digo político, afetivo, biológico são interdependentes para formar uma história. Não é assim também que se produz cultura?
Por exemplo, quem recicla o lixo diariamente? O que faz com ele? Dá para reutilizar aquele objeto e dar uma nova função? Dá para fazer um retoque criativo e dar de presente para um amigo? E  virar um brinquedo? Aquela caixa que veio um presente não pode ser incrementada e servir para guardar "badulaques" ao invés de ter que comprar outra caixa? Além de dar uma função também pode ser uma oportunidade para exercitar a criatividade.

Nem vou comentar sobre os benefícios que traz ao planeta quanto a reutilização de materiais, que é sabido por todos. Por enquanto quero me referir aos benefícios do exercício de atitudes criativas e lúdicas, e por que não dizer políticas no nosso dia-a-dia. Vamos começar a olhar para materiais que iriam direto para o lixo e pensarmos se realmente não podem ser reutilizados.  
 
Brinquedo feito de embalagem de ovo de Páscoa com sementes


Brinquedo luminoso para criança com baixa visão. Reaproveitamento de vaso de planta pintado.
 Marcel Duchamp, um grande artista visionário do século passado, questionou os limites da arte levando objetos do cotidiano à categoria de obras de arte. Os “ready-made” serviam para contestar a forma de produção artística instalada na época, mas eles só foram possíveis por meio do olhar multidimensional do criador. Sem ter o objetivo de reciclar o lixo Duchamp reciclou as mentes das pessoas que entenderam o significado de suas obras e que a partir daí a história da arte tomou outro rumo.

Marcel Duchamp by Man Ray
Por que não podemos criar uma rotina de parar por instantes para brincar de reinventar coisas? Assim criamos oportunidades de reinventar mentes...reinventar modos de vida.
FONTE:  http://terapiaocupacional-bethprado.blogspot.com.br/search/label/baixa%20vis%C3%A3o

Confecção de brinquedo adaptado: uma proposta de intervenção da terapia ocupacional com crianças de baixa visão

Building an adapted toy: a proposal for intervention of occupational therapy with children having low viewing capacity

Margareth Pires da Motta
Terapeuta Ocupacional do Hospital de Aeronáutica de São Paulo- Especialista em Administração Hospitalar , especializada no atendimento de crianças com
deficiência visual

Lyhara Monteiro Marchiore
Terapeuta Ocupacional da AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente
Joyce Horácio Pinto
Terapeuta Ocupacional do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de São Bernardo do Campo

Resumo
Para o desenvolvimento infantil, a interação com o ambiente é fundamental. A qualidade dessa interação vai depender da capacidade da criança para se inter-relacionar com ele. Essa capacidade pode ser prejudicada com, por exemplo, uma deficiência no sistema visual. A criança com deficiência visual tende a não captar os estímulos do meio ao seu redor, ou a não saber como reagir a eles, ficando privada de algumas oportunidades de desenvolvimento. Essa é a razão pela qual poderá precisar de ajuda até para brincar. Considerando esses aspectos, o presente trabalho tem como objetivo ressaltar a importância da adaptação de brinquedos para a promoção do desenvolvimento integral da criança com deficiência visual, em especial nos casos de visão subnormal. Para a consecução desse objetivo, a partir do estudo da problemática enfrentada pelas crianças nessa condição especial e da importância do trabalho da Terapia Ocupacional na adaptação, foram confeccionados dois brinquedos específicos para crianças de 2 a 4 anos com visão subnormal. Pode-se concluir que, embora não exista o que se chama de “brinquedo para crianças com deficiência”, às vezes é necessário adaptá-los às necessidades e ao nível de desempenho da criança.

Palavras-chave
Baixa visão. Jogos e brinquedos. Terapia ocupacional.

Abstract
Children development has interaction with the environment as an essential requirement. The quality of this interaction depends on the capacity of the child to relate with it. This capacity can be harmed for example by a deficiency in the visual system. Children with visual deficiency tend not to catch surrounding stimuli, or not to know how to react to them, being deprived of some chances of development. Due to this, they should need help even to play. Considering these aspects, the present work aims to emphasize the importance of toy adaptation for the promotion of the integral development of children with visual deficiency, especially in cases of subnormal vision. For the achievement of this aim, we build, based on the study of the problematic faced by children in this special condition and the importance of the work of Occupational Therapy in adaptation, 2 special toys for children from 2 to 4 years old having subnormal vision. We can conclude that although there is not a thing such as “toys for children with deficiencies”, sometimes it is necessary to adapt them to the necessities and to the performance level of the child.

Keywords
Low vision. Games and toys. Occupational therapy.


Introdução

Não existe questionamento quanto à importância da visão no relacionamento do indivíduo com o mundo externo, uma vez que permite captar registros próximos ou distantes e de organizar, a nível cerebral, as informações trazidas pelos outros órgãos dos sentidos, correlacionando explorações e descobertas que fazem parte do seu próprio desenvolvimento, além de ser um estímulo motivador para a comunicação e realização das ações no ambiente (Bruno, 1993).

Se a criança tiver o seu sistema visual acometido por alguma doença ou má formação, isso poderá resultar em deficiência visual, que pode ser entendida como uma falha nesse sistema, não permitindo a adaptação ou utilização desse meio de comunicação no ambiente.

Dependendo do grau de comprometimento do sistema, poderá resultar em baixa resposta visual, denominada “visão subnormal” ou “ausência total da resposta visual”, que seriam os casos de cegueira. Em ambas as situações, as conseqüências à vida da criança poderão repercutir nos aspectos educacionais, emocionais e sociais, que perdurarão ao longo da vida, se não houver uma intervenção precoce (Veitzman, 2003).

Nos casos de visão subnormal, o processo educativo se desenvolverá por meios visuais, ainda que seja necessária a utilização de recursos específicos e/ou adaptados. Deve-se considerar que o nível de experiência, desempenho e eficiência visual é particular e, portanto, muda de indivíduo para indivíduo, independente da idade, patologia e acuidade visual (Bruno, 1997).

As limitações que a ausência da observação visual impõe são relativas ao controle do ambiente, à orientação e ao domínio do corpo no espaço, à locomoção independente, à imitação das ações e, também, às brincadeiras e habilidades de interação social. Essas limitações podem ser compensadas pela participação em brincadeiras, jogos corporais e, principalmente, formas adequadas de interação e comunicação com o ambiente. (Masini, Gasparetto 2007).

A partir da década de noventa, com o novo enfoque funcional, os profissionais oftalmologistas, terapeutas e educadores começaram a trabalhar no sentido de aproveitarem o potencial visual nas atividades educacionais, na vida cotidiana e no lazer, priorizando o desenvolvimento de técnicas voltadas para trabalhar o resíduo visual assim que a deficiência tenha sido constatada, comprovando uma melhora significativa da qualidade de vida, mesmo sem eliminar a deficiência.

Barraga apud Masini e Gasparetto (2007) referem que a criança com baixa visão, sozinha, “capta” pouco com o sentido da visão; mesmo assim precisa ser ensinada sobre o processo de discriminação de formas, contornos, figuras e símbolos, ou seja, sem um processo de aprendizagem, não poderá fazer uso de seu resíduo visual.

Portanto é preciso proporcionar à criança um ambiente que a estimule a usar a visão, de forma que esta a ajude a comparar, categorizar, compreender e comunicar Ortega (apud Martín e Bueno, 2003).

Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi o de ressaltar a importância do trabalho do terapeuta ocupacional junto a crianças com baixa visão, mediante a confecção de brinquedos adaptados às suas necessidades e que promovam o desenvolvimento integral.

Método

Para comprovar a eficiência da adaptação de materiais específicos para baixa visão, foram confeccionados dois jogos - um de encaixe e outro com figuras (dominó de animais) – destinados a crianças com idade na faixa de 2 a 4 anos, que, devido à baixa visão, apresentem dificuldade na visão para perto. O projeto de adaptação utilizou placas de EVA (material emborrachado), madeira, figuras adesivas, tinta, cola e cordões coloridos. Além da finalidade a que os jogos se propõem, pensou-se em adequar o tamanho das peças e o contraste das mesmas. Para análise dos jogos, tomou-se como base as referências quanto ao tipo de material utilizado, a finalidade e as variáveis de aplicabilidade, de modo a ressaltar os benefícios advindos com a aplicação dos mesmos para promoção das habilidades do indivíduo.

O brincar da criança com baixa visão

É sabido que as crianças se desenvolvem através de sua interação com o ambiente que as cerca, mas a profundidade dessa interação vai depender de sua capacidade para interagir com esse ambiente. A criança dotada de visão é motivada a agir, porque extrai do seu meio os estímulos provocadores de ação. Já a criança com baixa visão pode não captar esses estímulos ou não saber como reagir a eles, ficando, assim, privada das melhores oportunidades de desenvolvimento. Essa é a razão pela qual ela pode precisar de ajuda até para brincar (Cunha, 1998).

O brinquedo é um objeto facilitador do desenvolvimento das atividades lúdicas, que desperta a curiosidade, exercita a inteligência, permite a imaginação e a invenção. Estimula a representação e a expressão de imagens que evocam aspectos da realidade .

Algumas crianças com deficiência visual adquirem esquemas rítmicos de movimentos próprios e particulares como balançar o corpo e a cabeça, agitar os braços, movimentar as mãos frente aos olhos, esfregar as mãos, apertar os olhos, como forma de comunicação e expressão de seus sentimentos, emoções e tensões. Bruno (1993) enfatiza que podemos ajudar essas crianças com a adequada interação afetiva e comunicação pelo contato físico e verbal, com experiências sensório-motoras significativas, como o brincar, e com movimentos corporais prazerosos, que dão sentido à ação e aliviam tensões.

No entanto, nem sempre as pessoas com que essas crianças interagem estão preparadas para estimular esse brincar de maneira eficiente. A utilização de um brinquedo inadequado à etapa de desenvolvimento na qual a criança se encontra pode provocar mais frustração à criança com deficiência. Dessa maneira, em alguns casos são necessárias adaptações no brinquedo para que se torne viável. Embora não exista o que se chama “brinquedo para crianças com deficiência”, pois os brinquedos são exatamente os mesmos que qualquer criança usa, às vezes é necessário selecioná-los com mais cuidado, porque precisam ser coerentes com as necessidades e o nível de desempenho da criança. A atividade de brincar provoca um clima de descontração e afetividade dentro do qual a interação pode fluir mais naturalmente (Cunha, 1998).

A autora descreve, ainda, que brincar de encaixar, empilhar, construir, montar quebra-cabeças são atividades que proporcionam exercício e desenvolvem habilidades, mas só serão brinquedos se forem realizadas com prazer; caso contrário, serão apenas tarefas realizadas com brinquedos. Um aspecto importante destes brinquedos é que levam a criança a perceber a necessidade de planejar suas ações. Estes jogos tornam as crianças mais aptas a desempenhar tarefas que, talvez, não conseguissem realizar se não estivessem em situação lúdica, livres de cobrança e obrigatoriedade.

O brincar, então, é fundamental para a criança com baixa visão, por favorecer e despertar seu interesse em conhecer, uma vez que a criança que enxerga é motivada a explorar os objetos, porque os vêem. As crianças com deficiência visual não têm esse tipo de motivação, pois, não vendo os objetos, não são estimuladas a manuseá-los, mesmo quando um brinquedo é colocado em suas mãos. Os objetos precisam estar acessíveis aos olhos e às mãos, para a criança poder ver ou tocar e, dessa forma, ao ir em busca do brinquedo, começar a brincar espontaneamente.

Os jogos e brinquedos que desenvolvem as percepções tátil e auditiva ajudam-na a aprimorar os sentidos dos quais ela terá que se valer para compensar a deficiência visual. Felizmente, existem muitos jogos e brinquedos baseados em discriminação tátil e visual, oferecendo a oportunidade das crianças apalparem formas bem variadas de objetos e animais, oferecendo a chance delas reconhecerem e diferenciarem cores e objetos contrastantes e também de, através da vivência descontraída das atividades lúdicas, ir construindo o conhecimento sobre as coisas e as pessoas (Cunha, 1998).

No entanto, é importante observar que tipo de material a criança prefere: se plástico, tecido, borracha, espuma, metal, etc. Algumas preferem materiais duros e ásperos, outras preferem duros e macios. A exploração deve começar pelos materiais de que mais gosta e, gradativamente, os que ela rejeita devem ser apresentados. Deve-se, também, lembrar de que, ao se apresentar à criança com perda visual um objeto, tem-se que associar ao estímulo visual ou tátilcinestésico, a informação verbal e função do objeto, para, enfim, ela ir construindo seu sistema de significação e aprendendo a brincar (Bruno, 1993).

Segundo Reily apud Masini e Gasparetto (2007), em situações de adaptação de material, é necessário que se realize uma seleção criteriosa, principalmente quando se está trabalhando com imagens. Devem ser consideradas a qualidade da imagem e a possibilidade de compreensão da figura, transformando traços em relevo, ampliando a imagem ou ressaltando o contraste.

As atividades devem incidir num trabalho global de reorganização funcional procurando:

– associar impressões visuais com outros tipos de informação sensorial;
– relacionar novas experiências com experiências anteriores; e
– favorecer o desenvolvimento da memória visual – (remota e recente).

A confecção de jogos adaptados

O terapeuta ocupacional tem um papel fundamental na atuação junto à criança com visão subnormal, pois pode dispor de recursos terapêuticos advindos da aplicação da Tecnologia assistiva*. Neste trabalho, em especial, a confecção de jogos e brinquedos adaptados, que facilitam a participação social da criança com deficiência por poder auxiliá-la a estar nos diversos espaços, facilitando a inserção e participação nas atividades de seu cotidiano, inclusive o brincar. Porém, a introdução desses recursos precisa ter um sentido para ela, sentido esse que vai sendo construído a partir do uso que ela faz desse recurso, na relação terapêutica e no seu cotidiano.

É imprescindível que as adaptações de materiais sejam eficientes e atender algumas características peculiares:

– devem atingir um objetivo específico;
– não encorajar nem exigir movimentos ou posturas fora do comum;
– devem ser bem construídas e não apresentar riscos ou danos ao paciente;
– exigir intrinsecamente determinadas respostas em que o paciente não precisa se concentrar; e
– não humilhar o paciente: alguns pacientes não toleram adaptações muito artificiais que, portanto, não são benéficas (Trombly, 2005).

Refletindo sobre tais características, a autora ainda acrescenta que existem três razões para adaptar uma atividade para o tratamento de uma pessoa com deficiência. A primeira é modificar a atividade para torná-la terapêutica, quando, normalmente, ela não o seria. A segunda é graduar a dificuldade oferecida pela atividade ao longo de um contínuo terapêutico, para atingir os objetivos. Por fim, a terceira razão é permitir que uma pessoa com alguma deficiência realize uma atividade ou tarefa que seria incapaz de outro modo.

Portanto, é papel do terapeuta ocupacional, frente à criança com deficiência visual, promover, quando necessária, a adaptação de brinquedos e materiais, a fim de suprir algumas necessidades apresentadas pela criança como, por exemplo, a dificuldade em localizar, discriminar e reconhecer diferentes objetos.

Trombly (2005) comenta que o terapeuta ocupacional pode combinar as habilidades do paciente com as atividades que serão realizadas ou deseja realizar, selecionando, dessa forma, a atividade mais apropriada para a correção do problema, entre as disponíveis e as que interessam ao paciente.

No caso da criança com visão subnormal, a autora ressalta que as atividades devem incluir componentes que ofereçam a possibilidade de explorar diferentes tipos de texturas, noções de formas e tamanhos, obedecendo, para isso, a uma seqüência que parta do mais fácil para o mais difícil, ou seja, do mais comum e conhecido para o pequeno e menos comum. A textura deverá obedecer a uma graduação dos materiais ásperos e distintos para materiais lisos e similares. O paciente e o terapeuta também deverão estar envolvidos na experiência interativa de ensinoaprendizagem em que as características dos objetos são discutidas e identificadas.

Para Teixeira et al (2003), todas as adaptações deverão ser cuidadosamente planejadas para que sejam integradas à vida, pois a criança com deficiência visual não aprende de maneira incidental como a criança que enxerga. Necessita, portanto, de um ambiente de aprendizagem planejado e organizado para ampliar e enriquecer suas experiências de vida, obter informações e adquirir conhecimentos (Masini e Gasparetto, 2007. p. 89). Não há regras estabelecidas e rígidas, pois cada indivíduo possui sua própria história, patologia e capacidade interna de envolver-se no processo adaptativo. No entanto, ressalta-se que todo o processo e finalização da adaptação terão sucesso quando o indivíduo e a família puderem expressar satisfação quanto ao uso, desde que o equipamento esteja bem ajustado e a colocação e manuseio seja prático e fácil.

Uma das maneiras de acompanhar e favorecer o desenvolvimento da criança com visão subnormal é despertar seu interesse pela exploração segura do ambiente através da interação com as pessoas. Esta é uma tarefa gratificante, pois, no caminho das explorações, a atividade do brincar permite interagir de forma agradável com ela, apoiando o desenvolvimento de suas potencialidades, preparando-a para a vida adulta.

Para que os brinquedos realmente representem desafios para a criança, estes deverão estar adequados ao interesse, às necessidades e às capacidades dela, respeitando a etapa de desenvolvimento em que se encontra.

Proposta de jogos adaptados pela terapia ocupacional

Com base nos conceitos de adaptação, citados por Teixeira ET al (2003), como o somatório da capacidade criativa do terapeuta ocupacional com a praticidade e funcionalidade da adaptação proposta, com a finalidade de aceitação e utilização pelo paciente, foram confeccionados dois brinquedos específicos para crianças com visão subnormal, que contemplaram como aspectos:

– aumento de contraste;
– uso de cores fortes e;
– ampliação no tamanho de objetos para facilitar a percepção visual.

Além disso, foi considerado no projeto de adaptação a faixa etária estabelecida nesse estudo (2 a 4 anos) e os jogos mais conhecidos e disponíveis no mercado para essa idade.

Um dos jogos adaptados foi o de dominó com figuras de animais. O Dominó Animal, assim denominado, consta de 10 peças de madeira, medindo cada uma 10 x 5 centímetros, nas quais foram estampadas quatro figuras diferentes: peixe, pássaro, elefante e girafa. As peças de madeira foram pintadas na cor branca e as figuras estampadas, na cor preta – cores escolhidas devido ao alto padrão de contraste preto/ branco.

Este jogo favorece a aprendizagem de conceitos de direitaesquerda, percepção de figurafundo, noção de forma e tamanho, constância da forma, além de favorecer o desenvolvimento da coordenação motora fina e destreza, cruzamento da linha mediana, lateralidade, integração bilateral, controle motor e estimulação dos aspectos cognitivos (atenção, concentração, organização, memória, formação de conceitos, solução de problemas e raciocínio lógico).

Ainda com a finalidade de favorecer a discriminação de formas, pensou-se em um outro jogo chamado de Encaixando Formas, composto por uma base de madeira, com aproximadamente 40 centímetros de comprimento por 15 cm de largura, na qual são fixados 4 pinos fixos para favorecer o encaixe das formas e de peças emborrachadas
do tipo E.V.A. em quatro diferentes cores (vermelho, azul, amarelo e verde) e de diferentes formas: círculos, triângulos, quadrados e retângulos, com furos ao centro para serem encaixados na base de madeira. Os objetivos proporcionados por esse jogo visam à percepção da noção de forma, tamanho, cor e quantidade, sendo que cada forma terá mais de uma peça, além de favorecer o desenvolvimento da preensão, coordenação motora e noção de profundidade, através do alinhavo com o barbante da cor correspondente.

Além dos objetivos específicos de cada um, ambos permitem que a criança com visão subnormal desenvolva a atenção visual através da visão para perto, internalizando a percepção do objeto na sua bidimensão.

Em relação aos jogos propostos, observa-se que, mesmo sendo distintos no processo de adaptação, apresentam semelhantes objetivos, como o de favorecer a visão para perto. Porém, o terapeuta poderá dispor sua aplicação, desmembrando em várias etapas, como, por exemplo, as figuras do dominó, que poderão ser apresentadas separadamente em tamanho maior, de modo que a criança poderá desenhar o contorno da figura (passando o dedo sobre a figura) e pintar, associando a cor que corresponde à cor real do animal. Dessa maneira, ao jogar o dominó, terá integrado e reconhecida todas as imagens percebidas. Isto comprova o quanto o processo terapêutico ocupacional é dinâmico.

É imprescindível garantir o acesso da criança com visão subnormal a materiais e brinquedos que favoreçam a percepção multissensorial, ou seja, um brinquedo pode favorecer a percepção de vários sentidos (visão, tato, audição, etc) como uma forma efetiva de promover o desenvolvimento integral dessa criança.



Figura1. Aplicação dos adesivos nas peças.



Figura 2. Jogo – Dominó Animal finalizado.



Figura 3. Materiais utilizados na construção do jogo.



Figura 4. Jogo Encaixe das Formas e alinhavo.

Conclusão

A confecção dos jogos proposta para crianças com visão subnormal de 2 a 4anos, através da intervenção do terapeuta ocupacional, teve como propósito ressaltar a importância deste profissional ao favorecer o brincar da criança, de modo que esta possa utilizar da visão residual para explorar e reconhecer os objetos que a rodeiam, aprimorando sua visão para perto. Os modelos aqui apresentados, apesar de não terem sido planejados para um caso específico, servem como exemplos de brinquedos que podem ser adaptados para crianças com baixa visão. Por isso é fundamental que o terapeuta conheça a condição visual da criança a fim de buscar adequar a adaptação dos materiais, sem contudo esquecer, que a criança precisa sentir prazer em realizar a atividade (brincadeira) e estar motivada a “ver”, só assim poderá beneficiar-se das facilidades propostas.


Conclui-se então que, o terapeuta ocupacional, valendo-se da criatividade, ao procurar recursos em seu meio social para a construção e adaptação de materiais, poderá contribuir para o desenvolvimento da eficiência no uso da visão subnormal, de modo que a criança aprenderá a usar seus recursos pessoais, seu resíduo visual e os instrumentos de que poderá beneficiar-se para a eficiência dessa visão, numa situação de realização e vivência de atividades, de modo a tornar-se um agente em seu convívio social, em busca de sua realização pessoal.


*“Qualquer item, peça de equipamento ou sistema de produto, adquirido comercialmente sem modificação, modificado ou feito sob medida, utilizado para aumentar, manter ou melhorar a capacidade funcional do indivíduo com incapacidade.” (Lei pública americana de assistência relacionada com tecnologia para indivíduos com incapacidades, 1988. In: Lima SMPF; 2005).


REFERÊNCIAS

Bruno MMG. O desenvolvimento integral do portador de deficiência visual: da intervenção precoce a integração escolar. 2ª. ed. Campo Grande: Plus; 1993. 144p.

Bruno MMG. Deficiência visual: reflexão sobre a prática pedagógica. São Paulo: Laramara; 1997. 124p.

Cunha NHS. Brinquedo, desafio e descoberta: subsídios para utilização e confecção de brinquedos. Rio de Janeiro: FAE; 1998. 427p.

Lima SMPF. Terapia ocupacional em tecnologia assistiva. [mimeo]; 2005.

Martín MB, Bueno ST. Deficiência visual: aspectos psicoevolutivos e educativos. São Paulo: Santos; 2003. 336p.

Masini EFS, Gasparetto MERF. Visão subnormal: um enfoque educacional. São Paulo: Vetor; 2007. 114p.

Ortega MPP. Linguagem e deficiência visual. In: Martín MB, Bueno ST. Deficiência visual: aspectos psicoevolutivos e educativos. São Paulo: Santos; 2003. 336p.

Teixeira E et al. Terapia ocupacional na reabilitação física. São Paulo: Roca; 2003. 571 p.

Trombly CA, Radomski MV. Terapia ocupacional para disfunções físicas. 5ª. ed. São Paulo: Santos; 2005. 1157p.

Veitzman S. criança com deficiência visual. In: Souza AMC. A criança especial: temas médicos, educativos e sociais. São Paulo: Roca; 2003. 378p.



O Mundo da Saúde São Paulo: 2008: abr/jun 32(2):139-145 139

FONTE: http://www.casadato.com.br/Imprimir.asp?ID=1242

Brinquedos para crianças com baixa visão

Já comentei em outras postagens a necessidade de escolher brinquedos para estimular o desejo de ver e brincar com crianças que tenham baixa visão. Este é um exemplo de brinquedo, para bebê e criança pequena, comprado em loja não especializada para esta proposta, mas que "garimpando" podemos encontrar alternativas adequadas. O importante é ter em mente que o brinquedo tenha:
-cores em alto padrão de contraste, quer dizer, cores com grandes diferenças para serem percebidas
-formas simples para ajudar em processar a informação visual
-contorno definido para a percepção da forma
-detalhes que servem como "pistas visuais" para caracterizar o brinquedo
-componentes associados, como boa qualidade sensorial tátil e auditiva
-possibilidade de manuseio e interação 
-com função regulatória, em potencial. No caso deste brinquedo pude vivenciar com uma criança quando ela entrava no estado de auto-organização ao abraçar o boneco
-e como com qualquer brinquedo, que ofereça segurança e prazer em brincar livremente

Este é um exemplo de bRinQuedoFeiTO

Podemos pegar os princípios de adequação visual para confeccionar brinquedos para crianças com baixa visão e usar o que tiver no nosso dia-a-dia. Aproveitamos para reutilizar materiais que seriam descartados no lixo ou usá-los de forma diferente. Fiz este chocalho para um bebê que também apresentava disfunção neuromotora e precisava de ajuda para poder segurar os brinquedos. Usei um potinho comum de produto lácteo disponível no mercado, forrei com tecido em cor de alto contraste e coloquei uma espécie de alça elástica (tirada de uma roupa) para a criança segurar o chocalho e brincar por conta própria. Esta alça pode ser substituída por um elástico largo, tendo cuidado para não apertar a mão do bebê. O principal disto tudo é acharmos soluções para as crianças fazerem suas próprias experimentações!
FONTE: http://terapiaocupacional-bethprado.blogspot.com.br/2011_03_01_archive.html

A delicadeza entre querer e poder brincar - cuidados especiais nas brincadeiras de crianças com diminuição da visão em consequência a algum dano cerebral - parte I

O interesse do brincar de crianças com baixa visão passa inicialmente pela busca semelhante de qualquer criança. De maneira geral o que diferencia é o tempo necessário para as aquisições e os cuidados especiais para o amadurecimento da função visual no sentido de criar um ambiente onde inclua uma organização do cotidiano para favorecer a integração visual aos demais sistemas orgânicos bem como adaptação do ambiente, brinquedos e utensílios das atividades cotidianas e pedagógicas.
Existem diversos textos que abordam sobre as alterações da função visual em crianças com baixa visão relacionando às importantes fases do desenvolvimento infantil. Porém ainda há poucos no sentido prático a respeito de disfunção visual cortical, ou também chamado prejuízo visual cerebral, e a relação dos cuidados para favorecer situações lúdicas.
Em linhas gerais, uma diminuição visual decorrente de algum dano neurológico envolve comportamentos característicos que são investigados na avaliação e que irão nortear um programa específico para uma melhor adequação do desenvolvimento cognitivo das crianças que apresentam baixa visão por terem passado por algum acidente neurológico ou algum dano na formação embriogenética das vias cerebrais responsáveis pela visão. Na pura definição, na disfunção visual cortical o exame ocular se apresenta normal, mas  podendo em algumas crianças virem associados, prejuízos na parte periférica e central do sistema visual, a depender do diagnóstico.
 Por enquanto vou citar os pontos principais para compor a avaliação e programa para intervenção na aplicação em brincadeiras de crianças com esse tipo de disfunção.

E quando fica difícil brincar para a criança com baixa visão?


Em primeiro lugar precisamos perceber seus interesses  e entender porque está difícil a criança com baixa visão brincar ou interagir. Para compor um programa de intervenção é necessário fazer previamente uma avaliação funcional da visão por um terapeuta especializado nesta área. O avaliador precisa conhecer os componentes específicos da função visual no desenvolvimento infantil para planejar as atividades de acordo com o perfil da criança e nível cognitivo.
O que é necessário observar?
-observar as habilidades e inabilidades visuais específicas da criança. As funções visuais serão avaliadas integradas ao desenvolvimento global da criança com o objetivo de adequar  COMO a criança pode brincar de acordo com a sua faixa etária e  interesse, no sentido de colocar em prática formas de ela aproveitar os momentos das brincadeiras.
-apropriação do brinquedo- a cor ou o tamanho inadequado dos brinquedos pode interferir no desejo de pegar um brinquedo e de fazer as descobertas próprias da infância.
-tempo de atenção e concentração - é comum vermos crianças que precisam da ajuda do adulto para iniciar, dar continuidade e/ou finalizar a brincadeira. As brincadeiras simples que se repetem e viram aprendizagem podem ficar comprometidas devido à dificuldade de se manter a atenção e sustentar o desejo pelo brincar espontaneamente, bem como organizar os passos para isto, sinais que podem ocorrer em pessoas que tem alguma lesão cerebral. 
-observar se há aumento ou diminuição de tônus muscular, pois isto pode ser um elemento que dificulta a exploração e expressão da criança e, inclusive, a manifestação de interesse e suas primeiras descobertas do que quer e do que pode, nas coisas mais simples, como tocar o rosto da mãe, tocar o próprio corpo. Por isso também é importante o trabalho de manuseio* para organização postural e regulação de tônus.
-tempo de brincar – observar o tempo de perceber e o tempo de dar respostas. Uma vivência muito rápida das experimentações do mundo pode não virar conhecimento. Se não houver tempo para criança experimentar e repetir espontaneamente uma brincadeira será mais difícil de ser incorporada, no sentido literal da palavra. O tempo de receber, processar a informação e responder à demanda do próprio corpo e do meio é diferente para algumas crianças com baixa visão de origem central.
- ambiente e comportamento- quando um ambiente não é favorável para o desenvolvimento infantil, será mais ainda para uma criança que, no mínimo, tem uma alteração motora e/ou sensorial. No entanto o ser vivo tem uma capacidade enorme de se adaptar constantemente ao meio ambiente e construir diversas formas de viver e se relacionar, desde que tenha oportunidades. Para isso é necessário na avaliação, a terapeuta ocupacional reconhecer quais os dispositivos do ambiente que dificultam ou facilitam o engajamento da criança em todas as brincadeiras. 
FONTE: http://terapiaocupacional-bethprado.blogspot.com.br/2011/02/delicadeza-entre-querer-e-poder-brincar.html

Sugestões para as famílias de crianças com baixa visão

Mara Olympia de Campos Siaulys

[ Mara Olympia de Campos Siaulys é pedagoga especializada em deficiência visual pela Universidade de São Paulo. Mãe de Lara, que inspirou seu trabalho com crianças deficientes visuais, levado-a à criação da Laramara, que preside atualmente. ]

APRENDENDO JUNTO COM PAPAI E MAMÃE
Apresentação
Nosso objectivo ao elaborar este manual com ideias e propostas a respeito da educação de crianças com baixa visão é facilitar a tarefa dos pais e contribuir para que elas adquiram melhores condições de integração social. Ele não deve ser entendido como um guia cujas indicações necessitem ser seguidas rigorosamente. A realidade de cada família mostrará qual o melhor caminho a ser trilhado, ao aproveitar as sugestões aqui citadas, que deram certo em nosso trabalho. A maior parte destas ideias, somada às da própria família, poderá ser utilizada em situações do dia-a-dia. Geralmente comete-se o erro de proteger demais a criança com baixa visão, cercando-a de cuidados exagerados; ela pode e deve participar da maioria das experiências comuns às crianças de sua idade. Nossa actuação durante muitos anos nesta área mostrou-nos que, com muito amor e boa orientação, essas crianças podem se desenvolver plenamente. Porém, somente a participação, o envolvimento e a crença da família nas possibilidades de seu filho proporcionarão condições para que ele se torne uma pessoa feliz e realizada.

Papai e Mamãe: seu filho tem um problema visual! Ao examiná-lo, o médico oftalmologista verificou que ele enxerga pouco, tem dificuldade para reconhecer cores, formas, objectos e figuras. De acordo com a necessidade de seu filho, ele indicou cirurgia; receitou remédios; prescreveu óculos e orientou o uso de auxílios especiais (como por exemplo, lupas e telescópios) para actividades escolares e do cotidiano. O diagnóstico e as recomendações do oftalmologista são fundamentais para o trabalho de todos os profissionais que acompanham o desenvolvimento de seu filho. Compareçam às consultas marcadas, não esqueçam o prazo para marcar os retornos, façam as avaliações indicadas. Perguntem ao médico e aos outros profissionais como, explicar de maneira simples a deficiência visual de seu filho. É preciso que vocês e ele saibam dizer, quando uma m pessoa perguntar, o nome do problema, suas características, o quanto ele enxerga. É importante também que vocês conversem com os pais de outras crianças com deficiência visual, para aprender a forma de solucionar problemas e trocar experiências. Se compreenderem perfeitamente a deficiência de seu filho, poderão planejar melhor sua educação. É normal que essa seja uma situação difícil para vocês, mas é preciso agir rápido e procurar a ajuda de profissionais especializados. Não esqueçam, contudo, que vocês são os principais educadores de seu filho, seus primeiros e melhores orientadores. Depende de vocês a oportunidade dele se desenvolver, ser uma pessoa realizada, integrada à sociedade e feliz. A comunicação e o amor no ambiente familiar são fundamentais para que ele se sinta seguro e cresça bem nos aspectos emocional, afetivo, mental e físico. Não neguem a deficiência da criança, pensando que o problema é pequeno e pode ser ignorado. A falta de atendimento adequado, o mais cedo possível, poderá levar a graves conseqüências. Não esqueçam que ver é uma actividade que deve ser aprendida, o uso eficiente da visão pode ser alcançado e é muito importante que a criança seja ajudada nesse aprendizado. A visão é muito importante para o desenvolvimento humano e é o principal sentido para se aprender tudo sobre o ambiente. Se a criança não puder usá-la integralmente, devemos tomar providências urgentes para que a pouca visão existente seja aproveitada ao máximo, e para que ela empregue os outros sentidos (audição, tacto, olfacto, paladar) e todo o corpo no aprendizado e no entendimento do mundo que a rodeia. Somente assim ela terá a oportunidade de progredir, de se tornar independente, de freqüentar a escola, trabalhar, produzir e se realizar. As considerações, propostas, ideias e sugestões que apresentamos a seguir, resultaram de experiências vividas, ao longo de nosso trabalho, com crianças que têm baixa visão. Vamos dirigi-las a você, mamãe, desejando que as tarefas diárias se tornem mais leves e as brincadeiras com seu filho ou filha, mais prazerosas; e a você, papai, vovó, vovô, tio, irmão, amigo, que convive e interage com a criança.

O respeito às limitações e ao ritmo da criança
A criança que vê bem, aprende muito por imitação. A criança que enxerga pouco, não podendo imitar, precisa desenvolver o uso da visão e dos outros sentidos para entender e fazer as coisas. É necessário que lhe ensinemos movimentos e posturas, não só os complicados, mas até os gestos e trejeitos mais corriqueiros. Seu aprendizado poderá ser muito lento e ela demorar para descobrir e compreender tudo, necessitando mais tempo para identificar e entender um objecto. Portanto, desperte sua curiosidade e deixe que ela o manipule e aja sobre ele o tempo que precisar, respeite seu ritmo, não procure forçar nada. Talvez ela veja o objecto de forma confusa, ou perceba só uma parte dele. Ajude-a a pesquisá-lo como um todo, suas partes, seus detalhes, os pontos principais e a identificar seu nome, uso e função. Proporcione actividades diversificadas para que possa vivenciar novas experiências e reforçar seu aprendizado. Elogie sempre seu progresso e utilize a crítica de modo construtivo. O controle do que está acontecendo muitas vezes lhe escapa, ela não entende o que se passa. Por esse motivo, pode ser hiperativa, rápida demais em sua movimentação e não prestar atenção a nada. Como não consegue ver claramente as coisas, não se detém nelas. Incentive-a a parar para ver, observar, analisar e entender. Se ela ficar cansada depois de olhar e prestar muita atenção a um brinquedo, mude de actividade, varie a brincadeira ou, simplesmente, deixe-a descansar. A criança também pode apresentar alterações de comportamento: às vezes, ela se mostra desatenta e tem tanta dificuldade para aprender que poderá passar por preguiçosa ou com deficiência mental. Pode ainda manifestar maneirismos, movimentos repetitivos, girar ou mover a cabeça, esfregar os olhos, balançar as mãos ou os dedos diante dos olhos etc. Devemos incentivá-la a substituir tais movimentos por actividades interessantes, como brincar com bola, manipular brinquedo com as duas mãos, correr, etc. A adaptação do ambiente Mesmo que a criança enxergue muito pouco, é importantíssimo que seja estimulada a olhar. Quanto mais ela usar a visão, mais aprenderá a ver. Ajude seu filho a descobrir a alegria de ver, ser curioso e conhecer o ambiente pelos olhos, mãos e corpo, desenvolvendo a inteligência e se transformando em um ser pleno. Enriqueça o ambiente com coisas bem coloridas. Use cores vivas (vermelho, azul, amarelo, laranja) e cores contrastantes (preto e branco, amarelo e preto). Os brinquedos coloridos, sonoros, com movimento despertam a atenção e a vontade de brincar. Deixe-o posicionar a cabeça, o olhar ou mesmo aproximar-se para examinar atentamente o objecto e usar o tacto para explorar as coisas não pode ver. Explique-lhe o funcionamento do brinquedo, indique o nome e converse com ele sobre o que está descobrindo. Controle a iluminação do ambiente, conforme a necessidade de seu filho; alguns precisam de maior luminosidade, outros preferem ambientes menos claros. Organize o espaço mantendo as coisas em seus devidos lugares, para que ele possa encontrar com facilidade seus objectos e brinquedos. Evite ao máximo mudar os móveis de lugar, mas se o fizer, avise-o com antecedência e mostre-lhe a mudança. Ajude-o a arrumar e a organizar seus pertences, ensine-o a dobrar roupas, a pendurá-las, colocá-las nas gavetas e a guardar os brinquedos no lugar certo. Elimine perigos não deixando nada jogado no caminho, para evitar que ele tropece. Cuidado com o fogão, ferro elétrico, tomadas e fios soltos. Remédio, produto de limpeza, veneno, inseticida, objectos com ponta ou borda cortante e a tesoura devem ficar fora do alcance da criança. Atenção para dobras nos tapetes, evite encerar pisos para que eles não se tornem escorregadios. Mantenha as portas totalmente fechadas ou totalmente abertas, evitando que ele bata a cabeça na quina.

O conhecimento da casa
A criança deve conhecer e estar bem familiarizada com sua casa. Oriente-a e mostre-lhe a localização de cada cômodo, portas, janelas, cortinas, móveis, armários e gavetas. Explique para que servem e deixe-a, se possível, manipular os aparelhos como: geladeira, televisão, aparelho de som, forno de microondas, fogão, máquinas de lavar roupa, de secar, e de lavar pratos. Identifique com ela os ruídos de cada parte da casa, som de campainha, torneiras, máquinas, etc. Explique-os. Se necessário, utilize pistas sonoras, olfativas e táteis para reconhecimento dos diferentes locais da casa. Por exemplo: o tic-tac forte de um relógio na sala, um sininho que ele acione ao passar para a cozinha, um perfume gostoso no banheiro, faixas coloridas e táteis na porta de seu quarto. É importante também que ela conheça as áreas externas de sua casa. A porta da frente pode ser identificada por um elemento sonoro ou um capacho, por exemplo. A saída para o jardim ou para a rua tem que ser muito conhecida. Cada detalhe da entrada da casa deve ser familiar: a existência de escada, o número de degraus; o jardim, as plantas; a porta, o portão, as chaves e trincos; a entrada de carro, o rebaixamento da guia. O fundo da casa, a área de serviço, o quintal, as plantas... tudo bem explorado e conhecido. No caso de morar em apartamento, é útil a familiarização com o número de andares e de apartamentos, com elevadores, escadas, garagem, parque e vizinhança. A experimentação, a vivência do dia-a-dia, complementadas por comentários constantes, vão permitir que o seu filho domine tal conhecimento, possa descrever sua moradia a qualquer momento e, principalmente, tenha segurança nas suas actividades da vida diária.

A independência para alimentar-se, fazer sua higiene e vestir-se
Comece muito cedo a ensinar seu filho a realizar suas actividades do dia-a-dia. Desde pequeno, ele deve participar das refeições familiares, mesmo que isto signifique algum transtorno para os outros membros da família. A hora da refeição é muito útil para ele aprender como se portar à mesa, participar das conversas, conhecer diferentes comidas, utensílios e para estimular os sentidos. A princípio deixe que ele pegue os alimentos com as mãos para que conheça sua forma e consistência; diga-lhe seus nomes, deixe que sinta seu aroma e sabor e comece a demonstrar suas preferências. Aos poucos, ele aprenderá a identificar os sabores: doce, salgado, azedo, amargo e picante. Oriente-o a utilizar colher ou garfo e ajude-o a usar faca e guardanapo. Deixe-o preparar seu próprio sanduíche, mostre-lhe como cortar o pão, passar manteiga, geléia ou requeijão; ensine-o a preparar seu suco de frutas, natural ou não, adoçar, mexer com colher, abrir a garrafa de refrigerante, colocar no copo ou usar canudinho. Sempre que possível, dê-lhe as frutas inteiras para que conheça sua forma, textura e aroma. Deixe-o descascar e morder maçã, pêra, banana, mexerica e outras frutas. Comente a origem dos alimentos - carnes, peixes, aves, vegetais - e como eles são preparados: cortados ou inteiros; crus, fritos, cozidos ou assados; com sal, pimenta, molho; quentes, frios ou gelados. Incentive-o a participar da preparação de doces, pudins, gelatina e bolo. Será uma experiência muito boa. Deixe que ele abra a geladeira e o armário e escolha seus alimentos, ajudando-o a lembrar de quando os comprou no supermercado. Mostre-lhe como abrir as embalagens e insista nos nomes e nos sabores: bolacha, iogurte, gelatina e bala de morango, de limão, de mel... Associe os horários das refeições com fatos que acontecem na vida da família e comente os alimentos mais consumidos em cada uma, conforme o costume de sua casa.
Seu filho deve ser incentivado a fazer sozinho a sua higiene. Ele precisa identificar e utilizar corretamente escova de dentes e de cabelo, sabonete, pente, cotonete, shampoo, talco, desodorante, esponjas e secador de cabelos. Ele deve conhecer a localização das peças do banheiro e saber manejar descarga, torneiras e chuveiro. Quando pequeno, na hora do banho, você pode ajudá-lo a reconhecer partes do seu corpo; nomeie-as à medida que o ajuda a passar sobre o corpo a esponja ou a toalha de banho. A brincadeira com potinhos, vasilhas, bonequinhos e com espuma é muito interessante. Sentir a temperatura da água, nomear as diferenças, distinguir entre o banho na bacia, na banheira, no chuveiro, tudo isso o ajuda a tornar-se mais seguro e independente. Organizar suas roupas nas gavetas, dobrá-las e pendurá-las nos cabides são tarefas que ele pode desenvolver com você. Não se esqueça levá-lo junto quando for comprá-las. Combinar as peças de acordo com a cor ou a textura, adequá-las às estações do ano e à temperatura, usá-las de acordo com a moda ou a situação, eis aí um aprendizado que requer tempo, paciência e dedicação da família e da criança. Identifique com ele o nome de cada item do vestuário, parte da frente e de trás, avesso e direito, calças compridas e curtas, peças externas e íntimas, uniformes; os diversos tipos de calçado e seu uso: tênis, sapato, bota, chinelo. Explique-lhe a necessidade de lavar a roupa usada, mostrando-lhe como lavar, secar, passar a ferro. Explique-lhe como abotoar usar, zíper, fechar com velcro, amarrar e dar laço. É importante que ele aprenda a usar lenço de papel ou de tecido para assoar o nariz.

O desenvolvimento dos sentidos
É fundamental que você incentive seu filho a usar a visão em todas as oportunidades. Na vivência diária, encoraje-o a explorar o ambiente, a localizar e a identificar objectos, formas e figuras; a reconhecer cores. O importante é desenvolver o gosto de ver, por isso não o force, proponha actividades prazerosas, brincadeiras e jogos. Estimule a criança a usar ao máximo sua visão, mas não se esqueça de que é essencial que ela eduque seus outros sentidos: audição, olfacto, paladar e tacto, pois isso vai ajudá-la no reconhecimento de coisas que existem no ambiente às quais ela não tem acesso por causa da baixa visão. O desenvolvimento dos sentidos não ocorre naturalmente, é preciso educá-los, aproveitando para isso as actividades de alimentação, higiene e vestuário. Também os brinquedos são bons recursos para incentivar o uso da visão, pois são interessantes, têm cores e formas variadas e representam um desafio para a criança. A audição é um grande auxiliar para a identificação de ambientes internos e externos pela pessoa com deficiência visual. Podemos chamar sua atenção para vozes, passos, campainhas, barulhos de máquinas, de abrir e fechar portas e janelas, de rodos e vassouras, de esguicho, balde, torneiras e descargas, em áreas internas; na rua, para o barulho de carros, caminhões, ônibus, trem, sirene, pássaros, vozes de pessoas ou animais, bolas, sinos, sons musicais, vento e chuva. Ruídos característicos de certos locais são interessantes para seu reconhecimento: supermercado, igreja, parques, aglomerações humanas, etc. É útil para a pessoa com deficiência visual saber identificar os diversos odores. Pelo olfacto, ela pode associar o local ou o objecto ao seu aroma característico, como por exemplo: farmácia, açougue, padaria e posto de gasolina; cozinha, banheiro e jardim; chocolate frutas, café e erva-doce; álcool e desinfetante. A oferta de alimentos com os diferentes sabores - doce, salgado, azedo, amargo e picante - pode ser usada na estimulação do paladar. O tacto é um sentido essencial para a percepção do espaço pela pessoa com deficiência visual. Todo seu corpo em movimento é utilizado nesse reconhecimento. Entretanto, as mãos e os dedos são as partes mais sensíveis, sendo o toque e o manuseio dos objectos fundamentais para o conhecimento de forma, tamanho, peso e textura. A criança com deficiência utilizará todos os sentidos para complementar a baixa visão. Daí a importância deste trabalho de forma integral, possibilitando a ela uma melhor compreensão do mundo.
A importância da brincadeira
A brincadeira é a vida da criança e a forma mais gostosa para ela conhecer o ambiente, movimentar-se, ser independente, desenvolver seu físico, sua mente, sua auto-estima e afetividade. Brincando, as crianças entram em contacto com diferentes cores, texturas, formas, tamanhos, sons e conhecem tudo o que existe no ambiente. Brincar na companhia de irmãos, primos, vizinhos, colegas de escola e amigos é ótimo para a socialização e ampliação do conhecimento. A família precisa facilitar e incentivar a brincadeira, dela participando muitas vezes, pois algumas crianças com baixa visão precisam desse apoio para que desenvolvam o gosto por ela. Brincando de casinha, de escola, de vender, de teatro e de bandinha, a criança vai compreendendo a vida e se preparando para o futuro. Brincar de roda, de esconde-esconde, de bicicleta, de carrinho, de bambolê, de perna-de-pau; de pular corda, chutar bola, pular amarelinha, dar cambalhotas, disputar corridas, tudo isso vai lhe dar oportunidade de movimento, fundamental para que adquira noção de espaço e tempo, desenvolva seus músculos, braços e pernas. Também servem para esse fim os brinquedos parque infantil: escorregador, gira-gira, balança, gangorra e trepa-trepa. Brincar na areia, na água, fazer bolha de sabão, fazer e soltar pipa são actividades de que toda criança gosta. Com brinquedos ou até com objectos comuns da casa, a criança desenvolve suas habilidades para usar as mãos; aprende formas, reconhece objectos, aprende dimensão e peso, entende o que é alto e baixo, pequeno e grande, maior e menor, comprido e curto, largo e estreito, pesado e leve, cheio e vazio. Empilhar, encaixar, rosquear, costurar, enfiar contas são actividades interessantes e divertidas. Montar quebra-cabeça, pintar, desenhar, brincar com massinha ou argila, separar e classificar objectos são ótimos exercícios para seu aprendizado. A brincadeira com pequenos animais domésticos como um cachorro ou um gatinho enriquece sua afetividade. Não podemos esquecer os livrinhos, revistas, discos, fitas e filmes infantis. Nas revistas que a criança folheia, ajude-a a identificar objectos, animais, pessoas; chame a atenção para cores, formas e nomes. Deixe-a recortar as figuras e colá-las em um caderno ou em folhas de papel e anime-a a fazer uma exposição. Com os livros infantis ilustrados aprenderá a usar melhor a visão, a prestar atenção a detalhes, a interpretar cenas, e também ampliará seu vocabulário. Deixe-os sempre ao alcance de seu filho, leia para ele, incentive-o a ler.

A participação social
O relacionamento com amigos e vizinhos, a participação na comunidade da escola, da igreja, do bairro, tão importantes para todos, oferecem muitas oportunidades para a criança aprender e educar-se para a vida social. Seu filho deve participar de passeios, visitas, festas, reuniões, compras e viagens. Assim, ele vai se familiarizando com o que existe nas ruas: o trânsito, semáforos, telefones públicos; pode andar em diferentes tipos de veículos (carro, ônibus, trem, metrô);usar escada rolante e conhecer diversos tipos de estabelecimentos comerciais: loja de roupas, de calçados, de discos, supermercado, açougue, padaria e floricultura. Incentive-o a conhecer muitas pessoas, conviver com parentes e amigos, participar realmente da vida familiar. Aproveite para orientá-lo sobre comportamento social: cumprimentar, despedir-se, agradecer, pedir licença, conversar ao telefone. Ao apresentá-lo às pessoas, deixe-o falar de si, seu nome, idade, gostos. Nas diversas situações familiares e nos grandes acontecimentos sociais, comente os sentimentos (amor, alegria, tristeza, aborrecimento, raiva) e os fatos (nascimento, saúde, festa, dor, morte). Associe expressões faciais e gestos correspondentes a sentimentos e peça que ele os imite: cara de bravo, de alegre, de triste, etc. Antecipe situações pelas quais ele deve passar, explicando, por exemplo, como é uma consulta ao médico, ao dentista e converse depois sobre como ele se sentiu em tais ocasiões. Todos os eventos familiares (casamento, nascimento, Natal, Páscoa, formatura, batizado) e sociais (carnaval, festa junina) podem ser comemorados, explorando a oportunidade para explicações, comentários e, principalmente, para a criatividade da própria criança: enfeitar a casa, embrulhar o presente, escrever o cartão, enviar telegrama, telefonar, escolher e preparar sua roupa, fazer doces e salgados. O aniversário da criança é a data mais importante para ela. Procure fazer uma comemoração, por mais simples que seja. O importante é o carinho da família, o canto de Parabéns a Você, o soprar a velinha, o presentinho, enfim, o fato de mostrar que é uma data especial. Se puder, faça uma festinha, convide familiares e amigos e deixe seu filho "curtir" a preparação de enfeites, lembrancinhas, doces, bolo e salgadinhos. A recepção das pessoas, seu nome, o grau de parentesco, o recebimento e a abertura dos presentes, os agradecimentos ampliam de forma agradável sua vivência social. Os comentários sobre a idade, a lembrança de outros aniversários da criança e dos amigos, a memorização da data, a comparação com a idade dos irmãos proporcionam a ela muitos conhecimentos e ajudam a criança a desenvolver a noção de tempo, passado, presente e futuro; antes e depois; os meses e as estações do ano.
A vida escolar
Mesmo com baixa visão, seu filho pode freqüentar creche, pré-escola e escola comum, desde que haja atenção especial para as suas necessidades e a escola receba orientação. Seu filho sentirá maior segurança se a escola toda for preparada para recebê-lo. Os colegas devem saber de sua deficiência visual, tirar suas dúvidas e ouvir explicações a respeito de suas dificuldades. Se o oftalmologista indicou óculos ou outros auxílios especiais (lupa, telescópios, por exemplo), é importante conscientizar toda a família, a professora e as demais pessoas que convivem com ele sobre a importância do uso de tais recursos para melhorar a sua visão, incentivando-o a usá-los. Algumas crianças necessitam de óculos com lentes escurecidas por não suportarem muita luz. O uso de boné quando saem ao sol é aconselhável. Outras crianças precisam de bastante iluminação no ambiente e, principalmente, foco de luz dirigido sobre o objecto ou o texto em que estão trabalhando. Para melhorar o desempenho escolar das crianças com baixa visão, recomenda-se o uso de lápis 6-B, que é bem escuro, nas actividades de escrita, e caneta hidrográfica para contornar os desenhos; estes devem ser bem simples, evitando-se muitos detalhes. As linhas do caderno devem ser reforçadas com caneta preta e a distância entre elas aumentada. No caderno comum, reforça-se uma linha sim e outra não. A letra deve ser bem simples e, algumas vezes, ampliada. Na sala de aula, a criança deve sentar na primeira carteira e ter liberdade de levantar-se para chegar perto da lousa ou mudar de lugar para copiar a lição. A participação da família na vida escolar da criança e o diálogo constante com os educadores são indispensáveis para facilitar a solução de dificuldades que possam surgir. É fundamental a compreensão e a disponibilidade da família para atender às possíveis solicitações da escola (ampliar textos, preparar material etc.), bem como algum apoio à criança na realização de tarefas escolares.

Papai e Mamãe: Esperamos que estas sugestões venham enriquecer a convivência com seu filho. Porém, vocês, melhor do que qualquer pessoa, saberão encontrar a forma própria de comunicação com sua criança. E creiam, ela será única, intensa e norteará esta relação por toda a vida. Acreditem no potencial de seu filho, transmitam-lhe sempre esta crença e, principalmente, respeitem-no como pessoa. A descontração, a alegria e otimismo são essenciais para a interação com crianças, jamais se esqueçam disto! Com determinação, força e muito amor, vocês alcançarão o objectivo maior de todos os pais: ver seu filho feliz.


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A publicação virtual deste livro foi autorizada, gentilmente, pela autora. Exemplares impressos contam com ilustração de Moacir Rodrigues e podem ser obtidos gratuitamente junto a Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, à rua Conselheiro Brotero, 338, Barra Funda, 01154-000, São Paulo, SP. Informações pelo telefone (011) 826-3744, Fax: (011) 826-9108 ou por e-mail: laramarabrasil@mandic.com.br
Mara Olympia de Campos Siaulys
Colaboração: Célia Campos Pardo e Maria Alice Rosmaninho Perez
Revisão Técnica: Célia Campos Prado -  Design Gráfico: Z Design - Ilustração: Moacir Rodrigues- Impressão: Gráfica Laramara - Patrocínio: Schering-Plough 


FONTE:  http://deficienciavisual.com.sapo.pt/txt-sugestoespara.htm
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"Muitas mudanças ocorreram nos últimos vinte anos, quando teve início a prática da Baixa Visão em nosso país. O oftalmologista brasileiro, porém, ainda não se conscientizou da responsabilidade que lhe cabe ao determinar se o paciente deve ou não receber um tratamento específico nessa área. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes atendidos e tratados permanece sem orientação, convivendo, por muitos anos com uma condição de cegueira desnecessária." (VEITZMAN, 2000, p.3)

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NÃO ESQUEÇA!....

NÃO ESQUEÇA!....

FONTES PARA PESQUISA

  • A VIDA DO BEBÊ - DR. RINALDO DE LAMARE
  • COLEÇÃO DE MANUAIS BÁSICOS CBO - CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA
  • DIDÁTICA: UMA HISTÓRIA REFLEXIVA -PROFª ANGÉLICA RUSSO
  • EDUCAÇÃO INFANTIL: Estratégias o Orientação Pedagógica para Educação de Crianças com Necessidades Educativas Visuais - MARILDA M. G. BRUNO
  • REVISTA BENJAMIN CONSTANT - INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT