ACOMPANHE ESSE BLOG DE PERTO!

17 de mar de 2012

A Criança com baixa visão por Francine Tognin


.
A inclusão do portador de baixa visão nos ambientes escolares, religiosos, grupos de amizades e demais esferas sociais, gera um número elevado de publicações que visam reduzir ou acabar com o estigma carregado pelas crianças com limitações visuais.
Não só as crianças, mas também os pais carregam consigo a inexperiência no manejo com cada tipo de limitação visual e com as interações provenientes destas; assim, grande número de atividades diárias são simplesmente banidas do cotidiano familiar com o objetivo de minimizar os conflitos que possam ser gerados pelo contato social.

Consultas periódicas ao oftalmologista, exames desconfortáveis para a criança e a reabilitação visual necessária, geram expectativas ao grupo onde a criança se insere e ansiedade ao portador de baixa visão que vê com certo obscurecimento a construção de seu futuro se não for bem acompanhado e envolvido da atenção e carinho necessários.
O olhar sobre o portador de baixa visão volta-se, geralmente, para aquilo que o expectador pode visualizar na estética da criança, na dificuldade de aprendizado e limitações de locomoção; fatores estes que estigmatizam a criança, pois, quem disse que o portador de baixa visão tem que ter a estética do olho comprometida? Não se enxerga a olhos vistos a baixa visão; o olho pode ser normal e a criança pode não enxergar, assim como, não é porque a criança enxerga menos que as outras, que necessariamente, terá dificuldades na aquisição de conhecimentos na escola ou porque vê pouco vai andar de muletas ou sempre com alguém de mãos dadas.

A primeira tarefa de qualquer pessoa que tenha contato com crianças portadoras de baixa visão é fazer uma auto-análise de seu olhar sobre o outro. Quando surgirem as dúvidas sobre os nomes e sintomas das doenças que causam a baixa visão ou das necessidades diárias que essa criança possa ter, estaremos encarando a baixa visão como algo a ser trabalhado como qualquer outro problema do dia-a-dia e a atenção e cuidado necessários serão certamente oferecidos à criança.

A baixa visão pode ser um fator hereditário, isto é, a criança pode nascer com alguma patologia que gere a baixa visão. Quando isto ocorre, o acompanhamento para reabilitação da criança acontecerá desde cedo, estimulando os seus olhos a trabalhar o pouco de visão que a criança tem. Se isso não ocorrer, a criança deixará de usar os olhos e utilizará outros sentidos como o tato para manter contato com o mundo. Assim, acompanhamento oftalmológico, estimulação visual precoce e reabilitação visual são imprescindíveis à criança, sempre acompanhada dos familiares. Já se a baixa visão for adquirida, isto é, a criança não nasceu com ela, o processo é o mesmo, mas um fato importante deve ser observado: a aceitação da criança e dos familiares com a nova situação – a baixa visão - é bem mais difícil.

Esta situação não acompanha a criança desde o nascimento, então, a mudança no contexto familiar é brusca e exige um cuidado enorme de todos que a cercam para auxiliar o processo de compreensão do novo quadro sem superprotegê-la, restringindo seu contato social para minimizar o sofrimento, como ocorre constantemente.
A criança que enxerga menos que a maioria deve manter contato social sempre, como todas as crianças, pois está aprendendo a lidar com as situações, com os problemas, com o preconceito, com a vida. Restringir o contato com o mundo seria o mesmo que adoecer a criança, pois aquilo que a integra é o contato social, natural para todos.

Francine Tognin, é tecnóloga oftálmica, formada pela Universidade Federal de São Paulo, especialista em visão subnormal e graduanda em Psicologia.
Contato: francinetognin@hotmail.com

FONTE: http://www.culturainfancia.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=172:a-crianca-com-baixa-visao&catid=56:saude&Itemid=96

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

"Muitas mudanças ocorreram nos últimos vinte anos, quando teve início a prática da Baixa Visão em nosso país. O oftalmologista brasileiro, porém, ainda não se conscientizou da responsabilidade que lhe cabe ao determinar se o paciente deve ou não receber um tratamento específico nessa área. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes atendidos e tratados permanece sem orientação, convivendo, por muitos anos com uma condição de cegueira desnecessária." (VEITZMAN, 2000, p.3)

.
.

NÃO ESQUEÇA!....

NÃO ESQUEÇA!....

FONTES PARA PESQUISA

  • A VIDA DO BEBÊ - DR. RINALDO DE LAMARE
  • COLEÇÃO DE MANUAIS BÁSICOS CBO - CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA
  • DIDÁTICA: UMA HISTÓRIA REFLEXIVA -PROFª ANGÉLICA RUSSO
  • EDUCAÇÃO INFANTIL: Estratégias o Orientação Pedagógica para Educação de Crianças com Necessidades Educativas Visuais - MARILDA M. G. BRUNO
  • REVISTA BENJAMIN CONSTANT - INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT