ACOMPANHE ESSE BLOG DE PERTO!

6 de jun de 2012

A delicadeza entre querer e poder brincar - cuidados especiais nas brincadeiras de crianças com diminuição da visão em consequência a algum dano cerebral - parte I

O interesse do brincar de crianças com baixa visão passa inicialmente pela busca semelhante de qualquer criança. De maneira geral o que diferencia é o tempo necessário para as aquisições e os cuidados especiais para o amadurecimento da função visual no sentido de criar um ambiente onde inclua uma organização do cotidiano para favorecer a integração visual aos demais sistemas orgânicos bem como adaptação do ambiente, brinquedos e utensílios das atividades cotidianas e pedagógicas.
Existem diversos textos que abordam sobre as alterações da função visual em crianças com baixa visão relacionando às importantes fases do desenvolvimento infantil. Porém ainda há poucos no sentido prático a respeito de disfunção visual cortical, ou também chamado prejuízo visual cerebral, e a relação dos cuidados para favorecer situações lúdicas.
Em linhas gerais, uma diminuição visual decorrente de algum dano neurológico envolve comportamentos característicos que são investigados na avaliação e que irão nortear um programa específico para uma melhor adequação do desenvolvimento cognitivo das crianças que apresentam baixa visão por terem passado por algum acidente neurológico ou algum dano na formação embriogenética das vias cerebrais responsáveis pela visão. Na pura definição, na disfunção visual cortical o exame ocular se apresenta normal, mas  podendo em algumas crianças virem associados, prejuízos na parte periférica e central do sistema visual, a depender do diagnóstico.
 Por enquanto vou citar os pontos principais para compor a avaliação e programa para intervenção na aplicação em brincadeiras de crianças com esse tipo de disfunção.

E quando fica difícil brincar para a criança com baixa visão?


Em primeiro lugar precisamos perceber seus interesses  e entender porque está difícil a criança com baixa visão brincar ou interagir. Para compor um programa de intervenção é necessário fazer previamente uma avaliação funcional da visão por um terapeuta especializado nesta área. O avaliador precisa conhecer os componentes específicos da função visual no desenvolvimento infantil para planejar as atividades de acordo com o perfil da criança e nível cognitivo.
O que é necessário observar?
-observar as habilidades e inabilidades visuais específicas da criança. As funções visuais serão avaliadas integradas ao desenvolvimento global da criança com o objetivo de adequar  COMO a criança pode brincar de acordo com a sua faixa etária e  interesse, no sentido de colocar em prática formas de ela aproveitar os momentos das brincadeiras.
-apropriação do brinquedo- a cor ou o tamanho inadequado dos brinquedos pode interferir no desejo de pegar um brinquedo e de fazer as descobertas próprias da infância.
-tempo de atenção e concentração - é comum vermos crianças que precisam da ajuda do adulto para iniciar, dar continuidade e/ou finalizar a brincadeira. As brincadeiras simples que se repetem e viram aprendizagem podem ficar comprometidas devido à dificuldade de se manter a atenção e sustentar o desejo pelo brincar espontaneamente, bem como organizar os passos para isto, sinais que podem ocorrer em pessoas que tem alguma lesão cerebral. 
-observar se há aumento ou diminuição de tônus muscular, pois isto pode ser um elemento que dificulta a exploração e expressão da criança e, inclusive, a manifestação de interesse e suas primeiras descobertas do que quer e do que pode, nas coisas mais simples, como tocar o rosto da mãe, tocar o próprio corpo. Por isso também é importante o trabalho de manuseio* para organização postural e regulação de tônus.
-tempo de brincar – observar o tempo de perceber e o tempo de dar respostas. Uma vivência muito rápida das experimentações do mundo pode não virar conhecimento. Se não houver tempo para criança experimentar e repetir espontaneamente uma brincadeira será mais difícil de ser incorporada, no sentido literal da palavra. O tempo de receber, processar a informação e responder à demanda do próprio corpo e do meio é diferente para algumas crianças com baixa visão de origem central.
- ambiente e comportamento- quando um ambiente não é favorável para o desenvolvimento infantil, será mais ainda para uma criança que, no mínimo, tem uma alteração motora e/ou sensorial. No entanto o ser vivo tem uma capacidade enorme de se adaptar constantemente ao meio ambiente e construir diversas formas de viver e se relacionar, desde que tenha oportunidades. Para isso é necessário na avaliação, a terapeuta ocupacional reconhecer quais os dispositivos do ambiente que dificultam ou facilitam o engajamento da criança em todas as brincadeiras. 
FONTE: http://terapiaocupacional-bethprado.blogspot.com.br/2011/02/delicadeza-entre-querer-e-poder-brincar.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

"Muitas mudanças ocorreram nos últimos vinte anos, quando teve início a prática da Baixa Visão em nosso país. O oftalmologista brasileiro, porém, ainda não se conscientizou da responsabilidade que lhe cabe ao determinar se o paciente deve ou não receber um tratamento específico nessa área. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes atendidos e tratados permanece sem orientação, convivendo, por muitos anos com uma condição de cegueira desnecessária." (VEITZMAN, 2000, p.3)

.
.

NÃO ESQUEÇA!....

NÃO ESQUEÇA!....

FONTES PARA PESQUISA

  • A VIDA DO BEBÊ - DR. RINALDO DE LAMARE
  • COLEÇÃO DE MANUAIS BÁSICOS CBO - CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA
  • DIDÁTICA: UMA HISTÓRIA REFLEXIVA -PROFª ANGÉLICA RUSSO
  • EDUCAÇÃO INFANTIL: Estratégias o Orientação Pedagógica para Educação de Crianças com Necessidades Educativas Visuais - MARILDA M. G. BRUNO
  • REVISTA BENJAMIN CONSTANT - INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT