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15 de mai de 2010

CONVULSÕES PROVOCADAS POR ESTÍMULOS LUMINOSOS PREOCUPAM PAIS E ESPECIALISTAS

Márcia Neri

Publicação: 12/05/2010 10:00

Em dezembro de 2005, a casa da professora Cátia* estava toda enfeitada para o Natal. A árvore de fibra óptica brilhava com luzes coloridas, que piscavam intermitentemente, para a alegria da pequena Daniela*, então com 2 anos e 11 meses. Um dia, porém, Daniela sofreu uma convulsão. Estava com 38,5º de febre, mas, por determinação do casal de pediatras que a atendia, a mãe não deu nenhum antitérmico. “Ela estava no banho e desmaiou”, relata Cátia. Às pressas, a menina foi levada ao pronto-socorro, onde foi submetida a um eletroencefalograma — que não detectou anomalias. A pediatra da emergência afirmou que a convulsão havia sido provocada pela febre alta. Por precaução, porém, Cátia aposentou a árvore de fibra óptica e costuma diminuir a cor e o brilho da televisão. “Alguns médicos me alertaram que estímulos visuais fortes podem deixar o cérebro hiperativo”, afirma. Até hoje, ela evita expor a filha, hoje com 6 anos, a objetos luminosos. No Natal, o pisca-pisca da árvore é ligado. “Mas só um pouquinho. Depois, eu desligo”, conta Cátia.

É possível que a preocupação de Cátia não passe de um excesso de cautela de uma mãe zelosa, mas, aos olhos da ciência, está muito longe de ser despropositada. De tempos em tempos, surgem relatos de casos — normalmente ocorridos entre a infância e a adolescência — de crises convulsivas provocadas por estímulos luminosos intermitentes. Entram aí as luzinhas de Natal que preocupam Cátia, videogames, luz estroboscópica de danceterias e até o jogo de luz e sombras provocado pelo sol em meio às árvores. De acordo com o médico Paulo Bittencourt, Ph.D. pelo Instituto de Neurologia da Universidade de Londres, é a chamada “epilepsia por fotossensibilidade”, um dos tipos de epilepsia reflexa, cujas crises são estimuladas por fatores externos, como a luz, formas geométricas, barulho, música, leitura e até privação do sono.

O episódio mais grave até hoje de casos como esse ocorreu no Japão, em meados de 1997, quando cerca de 700 crianças foram parar no hospital devido a crises convulsivas desencadeadas durante a exibição de um episódio do desenho animado Pokémon (leia Para saber mais). “A fotossensibilidade é mais evidente no fim da infância e na adolescência. O excesso de atividades, fator típico dessa fase da vida, favorece a ocorrência das crises. Os sintomas são tremores impulsivos, principalmente nos braços, espasmos e contrações musculares, perda de consciência e extremo cansaço nas horas seguintes”, pontua o neurologista. O alerta, ressalte-se, não significa uma condenação aos videogames ou às televisões, mas um pedido de um uso racional dos equipamentos.

As crises epiléticas por fotossensibilidade, em geral, são generalizadas. Uma vez desencadeadas, costumam envolver o cérebro inteiro, gerando resposta em todo o corpo, o que não ocorre nas crises parciais ou focais. Depois do episódio do Japão foi realizado um simpósio na França que estabeleceu novos padrões para a frequência luminosa nas televisões. “Os games, com todos os recursos gráficos, cores e ação, deixam as crianças excitadas física e mentalmente. Não houve mais surtos como o de 1997 e os casos são raros, mas é importante que os pais saibam que a fotossensibilidade pode ser verificada pelo exame de eletroencefalograma, em uma rotina de fotoestimulação intermitente” acrescenta Bittencourt.

Como tratar
O tratamento é feito com uma droga disponível no mercado há três décadas. Segundo o médico, que participou do simpósio francês que reuniu neurologistas do mundo inteiro em 1999, o medicamento anula a alteração bioquímica envolvida na fotossensibilidade e evita as crises. O neurologista Ricardo Teixeira lembra que uma distância de pelo menos 2m entre o telespectador e a televisão deve ser observada e que indivíduos fotossensíveis também podem ter outras manifestações. “Náuseas, vômitos, alteração leve de consciência e pequenos choques no corpo são algumas. Ainda que mais discretas, essas ocorrências servem de alerta, pois um estímulo mais forte pode desencadear crises generalizadas”, pondera. O especialista observa ainda que crianças com histórico de epilepsia na família estão mais propensas à epilepsia reflexa por fotossensibilidade. (Colaborou Paloma Oliveto)
Ouça entrevista com o neurologista Paulo Bittencourt clicando aqui

Para saber mais
Pânico japonês

Em 1995, foi criado o jogo de videogame Pokémon, depois transformado em desenho animado. Em 1997, no auge do sucesso dos episódios no Japão, 729 crianças foram internadas com sintomas relacionados à epilepsia fotossensível. O pânico foi instalado e, nos dias seguintes, 13 mil estudantes faltaram às aulas apenas na cidade de Tóquio. Os casos estavam relacionados à exibição do episódio Guerreiro de computador Porigon. Batizado pela mídia de “pânico Pokémon”, o fenômeno ganhou destaque em jornais e emissoras de TV do mundo inteiro.

Tudo aconteceu quando as bochechas rechonchudas do personagem principal do episódio, o roedor amarelo Pikachu, piscaram durante cerca de cinco segundos em forma de luzes intermitentes, em várias cores. Vinte minutos depois, começou o corre-corre frenético das ambulâncias pelas ruas das cidade japonesas. Depois da confirmação do caso Pikachu, a indústria de entretenimento digital decidiu tomar algumas precauções. Os produtos trazem um alerta sobre os problemas que podem ser causados pelo estímulo visual e, mesmo sendo destinado a crianças, os manuais falam sobre a periculosidade da utilização constante dos games.


Riscos constantes

A megaexposição de crianças e adolescentes aos computadores, videogames e aparatos eletrônicos cada vez mais sofisticados viraram preocupação constante de médicos e psicólogos. A longa permanência diante dessas mídias pode vir acompanhada de transtornos para a saúde física e mental dos pequenos. Um estudo publicado pelo Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, da Sociedade Médica Americana, revela que quanto mais tempo as crianças passam em frente à televisão ou ao computador, maior a chance de apresentarem aumento dos níveis de pressão arterial.

Uma pesquisa divulgada no mesmo periódico confirma que meninos e meninas muito expostos à TV são mais propensos a desenvolver comportamento agressivo. Além das investigações científicas, episódios pontuais colocam a sociedade em estado de alerta. Eles comprovam que os danos, sejam eles físicos ou psicológicos, rondam a infância e podem ocorrer dentro de casa.

Crianças e adolescentes que passam mais de duas horas por dia conectados as mais diversas mídias eletrônicas ficam também muito vulneráveis à obesidade infantil, hipertensão e comportamentos agressivos. “Esses prejuízos são mais comuns do que crises epiléticas reflexas. Os videogames envolvem a criançada e são um convite ao sedentarismo. Jogos adequados para a idade podem até fazer bem, mas quando usados com parcimônia”, avalia o neurologista Ricardo Teixeira.

A psicóloga da Universidade Federal de São Paulo Mara Pusch explica que crianças menores de 2 anos não devem ficar expostas à TV e a jogos eletrônicos de jeito nenhum. O acesso à internet, à programação televisiva e aos games deve ser liberado de acordo com a faixa etária da garotada. (MN)


Epilepsias reflexas

São aquelas cuja crise são desencadeadas por fatores externos, como determinados tipos de luz e música. A epilepsia reflexa por fotossensibilidade é provocada por estimulação intermitente da luz

O que provoca
Os mecanismos que desencadeiam a crise epiléptica não estão claros para a ciência, mas os gatilhos podem ser estímulos luminosos provocados por:

» Televisões
» Videogames
» Padrões geométricos fortes
» Luz do sol através de folhas
» Luzes estroboscópicas

Prevalência
» Especialistas sugerem que a prevalência da epilepsia fotossensível na população entre 5 e 24 anos é ao redor de um em cada 100 mil habitantes
» Dentre a população epiléptica, 4% a 5% dos indivíduos podem responder com crises à fotoestimulação

As epilepsias fotossensíveis são divididas em:
» Epilepsia fotossensível pura: as crises ocorrem apenas como resposta à fotoestimulação intermitente. Exemplos: epilepsia da TV, crises autoinduzidas
» Epilepsia com fotossensibilidade: a luz é apenas mais um estímulo para as crises. Exemplos: epilepsia mioclônica juvenil e epilepsia com crises tonicoclônicas generalizadas do despertar

FONTE: http://www.correiobraziliense.com.br...


3 comentários:

  1. Detectei relação entre a TV ligada e as convulsões de minha cadela chihuhaua

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  2. Muito boa a materia...
    estou pesquisando sobre o assunto pois comprei um jogo q vem este alerta de convulsao logo no inicio.... temos q ter cautela nao só com as crianças + com a gnt msm

    ResponderExcluir
  3. Meu filho já teve dois episódios de crises convulsivas em frente ao computador, estamos mais cautelosos agora

    ResponderExcluir

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"Muitas mudanças ocorreram nos últimos vinte anos, quando teve início a prática da Baixa Visão em nosso país. O oftalmologista brasileiro, porém, ainda não se conscientizou da responsabilidade que lhe cabe ao determinar se o paciente deve ou não receber um tratamento específico nessa área. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes atendidos e tratados permanece sem orientação, convivendo, por muitos anos com uma condição de cegueira desnecessária." (VEITZMAN, 2000, p.3)

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FONTES PARA PESQUISA

  • A VIDA DO BEBÊ - DR. RINALDO DE LAMARE
  • COLEÇÃO DE MANUAIS BÁSICOS CBO - CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA
  • DIDÁTICA: UMA HISTÓRIA REFLEXIVA -PROFª ANGÉLICA RUSSO
  • EDUCAÇÃO INFANTIL: Estratégias o Orientação Pedagógica para Educação de Crianças com Necessidades Educativas Visuais - MARILDA M. G. BRUNO
  • REVISTA BENJAMIN CONSTANT - INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT