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13 de nov de 2008

A ESTIMULAÇÃO VISUAL COM ENFOQUE NO DESENVOLVIMENTO VISUAL DA CRIANÇA COM DÉFICIT CORTICAL – ESTUDO DE CASO

1ª ETAPA – DESENVOLVENDO AS FUNÇÕES VISUAIS COGNITIVAS


A ênfase do programa utilizado neste estudo de caso, que aqui será apresentado, foi sobre o desenvolvimento visual, viso-cognitivo, viso-motor. A Professora realiza a criação e adaptação de recursos e atividades de acordo com as necessidades visuais específicas apresentadas pela criança. A Terapeuta Ocupacional elabora recursos e atividades lúdicas com cenas significativas do cotidiano que permitem desenvolver suas possibilidades e minimizar as dificuldades apresentadas numa ação funcional contextualizada, propondo uma adequação do ambiente: mobiliários adaptados, recursos especiais e modificação da iluminação, quando necessário.

Desde muito cedo, BS, criança nascida de parto normal, apresentava um comportamento em seu desenvolvimento diferente de outras crianças. Já havia, por parte da família, uma suspeita de cegueira, porque a criança não reagia e não acompanhava com os olhos aos estímulos visuais que lhe eram apresentados.

No início do ano de 2004, quando BS tinha dois anos e meio a família matriculou-a numa escola de cegos, onde iniciou os programas de atendimentos. Período este que recebi seu encaminhamento da oftalmologista constando o diagnóstico de cegueira cortical e a necessidade de atendimentos de estimulação visual.

Foi realizada uma avaliação funcional quanto a sua percepção visual. Ela apresentava nistagmo e reflexo pupilar muito lento. Tentou-se maximizar caracteres para melhor utilização das capacidades e habilidades visuais, apesar disso, os problemas visuais eram bem mais complexos. Ela contava apenas com uma leve percepção da luz de lanterna, a ± 3 cm de distância em AO.

Através da compreensão do distúrbio ocular apresentado foi possível identificar suas dificuldades em realizar tarefas visuais. Contudo, a compreensão dos efeitos funcionais, levando sempre em consideração o comportamento apresentado durante os atendimentos (característicos a alguns estímulos, adaptações e situação sócio-emocional apresentada pela criança), valorizou uma avaliação individual considerando todos os fenômenos da função visual existente e aplicando atividades de interesse, tais como, contação de estórias e atividades lúdicas. Assim, foram levadas em conta tanto as condições físicas quanto emocionais e sócio-emocionais durante todo o processo. Os horários de atendimentos variavam de acordo com a atividade apresentada e o interesse da criança, normalmente, entre 40min e 1h30min, três vezes por semana.

“A avaliação funcional é um processo de observação informal do comportamento visual da criança em relação ao nível da consciência visual, da qualidade da recepção, assimilação, integração e elaboração dos estímulos visuais em termos perceptivos e conceptuais. Observa-se a maneira como a criança utiliza a visão no brinquedo, na mobilidade, na escola e nas atividades da vida diária.” (MEC, 2001: 54-55)

Após avaliar seu quadro funcional, deu-se início aos atendimentos de estimulação visual, onde lhe era oferecido estímulos visuais coloridos e com brilhos, luzes de lanternas (também coloridas), de uso direto, visando o desenvolvimento de sua capacidade visual.



Além de estímulos luminosos, com o decorrer dos atendimentos e evoluções visuais apresentadas, foi possível inserir funções visual-cognitivas necessárias ao seu desenvolvimento funcional, utilizando os mesmos recursos, e melhorando suas habilidades como: identificar perto / longe, distanciando e aproximando a luz de lanterna, grande / pequeno, utilizando lanternas grandes e pequenas, localização de direita / esquerda, em cima / embaixo, entre outras. Com quase três anos, BS já era capaz de acompanhar os movimentos da lanterna apenas com o movimento de cabeça e identificar suas localizações, além de responder aos estímulos de luzes a cerca de ± 10 cm.


Procuramos trabalhar de forma cautelosa. Nas atividades supracitadas, procurávamos sempre integrar suas habilidades visuais às táteis, olfativas, auditivas e paladares e, com uso da luz na luminária, eram realizadas adaptações para atividades lúdicas, como: esconde-esconde com uso da luz de lanterna em sala escura, contação de estórias com as luzes coloridas (estas visavam desenvolver também sua atenção visual), adivinhações e experiências com auxílio de estorinhas, músicas, entre outras; era sempre percebível o prazer que sentia durante os atendimentos. Utilizávamos apenas atividades lúdicas com uso de lanterna ou de luminária sem fazer alusão à visão ou utilização desta (como exemplo: “Brincávamos” no escuro iluminando os objetos a serem utilizados, entre outros).


Antigamente acreditava-se que o desenvolvimento de uma criança com deficiência seguia a mesma seqüencial de desenvolvimento de uma criança dita “normal”, contudo, apresentava-se num processo mais lento. Atualmente, acredita-se que o desenvolvimento da criança especial segue uma seqüência diferenciada, ou seja, os comportamentos são aprendidos em uma ordem própria. Assim, as atividades foram desenvolvidas de acordo com sua faixa etária e condição visual. A cada evolução visual apresentada eram adaptadas novas atividades para atender suas carências e desenvolver novas habilidades.

Próximo ao final do ano de 2005, com quase quatro anos, BS já era capaz de acompanhar os movimentos da lanterna (cerca de ± 15 cm) e de alguns objetos coloridos (cerca de ± 10 cm), com a cabeça, identificando suas localizações, além de responder aos estímulos de luzes.

Seu desenvolvimento acontecia num contexto de fases progressivas de maturidade. Por esse motivo, foi/está sendo realizado um trabalho criterioso (dialógico, interativo e lúdico) e bem dosado, com avaliações constantes, possibilitando assim identificar qual o melhor momento para inserção de uma nova fase de atendimento, visando possibilidades de aprendizagem visual num plano pedagógico.

No primeiro estágio, à medida que os exercícios aumentavam sua percepção visual, a criança apresentava uma melhor reação pupilar, concomitante, diminuição do nistagmo e melhor acomodação. De acordo com a colocação de Bruno (2005, p.9):
“A acomodação foi concebida por Lindstedt (1986) como o processo de formação de imagem clara na retina. Segundo a autora, a acomodação interferiria na resolução visual para atividades de perto; uma disfunção acomodativa resultaria em imagem nebulosa, estresse físico, mental, fadiga e irritação.”

Assim, com o decorrer dos atendimentos e evoluções visuais, observando o comportamento de BS a cada atividade apresentada, em diferentes situações e condições sócio-emocionais, procurou-se direcionar os propósitos para atividades funcionais visual-cognitivas (sempre reforçadas em cada fase visual), necessárias ao seu desenvolvimento funcional, visando o desenvolvimento de sua capacidade visual para o reconhecimento de cores, bem como, discriminação, seleção e associação destas.

Era perceptível o esforço realizado pela criança (muitas vezes demonstrando estresse e desprendimento) durante a execução destas atividades, sendo assim, era preciso usar de artifícios (como as atividades lúdicas) para que esta mantivesse seu interesse.

Um comentário:

  1. Oi adorei ler sua publicação,sou professora e trabalho na FCEE/SC,no setor da Baixa Visão,trablhava até o momento com Avaliação Funcional da Visão,atendendo crianças de zero a seis anos de idade,porém um problema no joelho me fez afastar deste atendimento,permanecerei mas trabalharei com crianças maiorese e adultos para adaptação de recursos ópticos especiais...estarei sempre aqui lendo suas publicações e quem sabe podermos trocar ideias para um bom trabalho meu ser realizado.Adoro o que faço,sinto muito que no momento tenhamos algumas pessoas que não entendem o trabalho na Baixa Visão,estejam querendo modificar ,não vejo esse trabalho sem a parceria do professor para que o aluno tenha melhores condições em sua sala de aula.Quero mais uma vez lhe parabenizar pelo seu blog...

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"Muitas mudanças ocorreram nos últimos vinte anos, quando teve início a prática da Baixa Visão em nosso país. O oftalmologista brasileiro, porém, ainda não se conscientizou da responsabilidade que lhe cabe ao determinar se o paciente deve ou não receber um tratamento específico nessa área. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes atendidos e tratados permanece sem orientação, convivendo, por muitos anos com uma condição de cegueira desnecessária." (VEITZMAN, 2000, p.3)

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FONTES PARA PESQUISA

  • A VIDA DO BEBÊ - DR. RINALDO DE LAMARE
  • COLEÇÃO DE MANUAIS BÁSICOS CBO - CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA
  • DIDÁTICA: UMA HISTÓRIA REFLEXIVA -PROFª ANGÉLICA RUSSO
  • EDUCAÇÃO INFANTIL: Estratégias o Orientação Pedagógica para Educação de Crianças com Necessidades Educativas Visuais - MARILDA M. G. BRUNO
  • REVISTA BENJAMIN CONSTANT - INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT