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8 de nov de 2008

A CRIANÇA DE BAIXA VISÃO E A DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM


Em diversos momentos de nossas vidas enfrentamos problemas e, através da relação com essas situações, formamos conceitos. De acordo com a teoria Vygotskiniana, toda criança, seja ela cega ou vidente, tem a sua disposição a linguagem, principal fonte de conteúdos de desenvolvimento. Para Vygotsky, não existem diferenças básicas no impulso para sua evolução, já que as forças do desenvolvimento são dinâmicas e buscam, através da contrapartida, uma superação de um estado de incerteza e de inferioridade que a condição da criança impõe.
Para Piaget, estes constantes equilíbrios e desequilíbrios são inerentes ao homem e fundamentais para que a aprendizagem aconteça de fato. Eles acontecem de forma natural, em cada nova situação, um novo problema, e a pessoa irá procurar, então, se adaptar e resolvê-lo, adquirindo assim o equilíbrio e, por conseguinte, um novo conhecimento.
Com a criança de baixa visão, principalmente as portadoras de déficit cortical, não é diferente. Para estas, torna-se um desafio à construção de seu conhecimento, visto que assume esse papel devido a sua curiosidade natural e cabe à família, à escola e aos profissionais enquadrar essas crianças no mundo da cultura, das relações sociais e políticas. Para nós, educador-mediadores, precisamos oferecer estímulos para que desenvolvam natural e gradativamente a construção de conhecimentos, importantes para ampliação de seu universo.
Sendo a linguagem uma das formas de expressão do pensamento, no momento em que a criança entra em contato com a escrita pela interação com pessoas que lêem e escrevem, começa a elaborar noções básicas da função social da escrita, tais como: organização, comunicação, registro e lazer.
No entanto, para crianças com baixa visão há uma problemática bastante específica... O infante, com visão prejudicada, sem dúvida alguma, apresenta grandes falhas em sua percepção da realidade, assim como, no reconhecimento de formas, tamanhos e cores. Assim se explica a dificuldade de se empregar livros comuns e/ou ampliados nesta fase da aprendizagem. Portanto, os obstáculos sociais que envolvem a criança com baixa visão é extremamente abrangente, variante de sua habilitação ou reabilitação, dependentes de um processo educacional que o prepare para ser independente.
Tendo em vista estes contratempos, torna-se necessário que a criança aprenda a usar sua visão para identificar e discriminar estímulos visuais. A princípio deve ser simples e isolado, e, à medida que surgirem alterações e evoluções visual-cognitivas, irá apresentar-se gradativamente estímulos mais complexos. É necessário que no início da apresentação destes estímulos, a criança tenha passado por uma avaliação clínica e funcional, possibilitando a organização de um programa de atendimento dinâmico. Ainda, o processo avaliativo é de suma importância em todos os âmbitos do processo educacional, pois nos oferecem caminhos para a tomada das decisões pedagógicas.
O organismo só é capaz de assimilar aquilo que as identificações passadas o preparam para absorver. Por isso a necessidade de uma avaliação funcional criteriosa visando identificar qual a etapa de desenvolvimento e que tipos de recursos devem ser utilizados.
De acordo com Ferrell (1996), os atrasos ocorridos no desenvolvimento da criança com deficiência visual surgem porque uma série de situações de aprendizagem, dependentes da visão, ocorre de forma incidental ou “natural” na criança normal, o que muitas vezes não acontece no desenvolvimento das crianças com deficiência visual.
Dessa forma, considerando o desenvolvimento como uma série de eventos que ocorrem em um processo contínuo de mudanças desde o nascimento até a morte (Gesell, 1985), a excepcionalidade pode ser compreendida como um déficit em uma determinada etapa de uma ou mais áreas específicas do desenvolvimento infantil, quais sejam a área motora, cognitiva, sócio-afetiva, sensorial ou lingüística (Cunha, 1996, 2001).
Quanto mais a criança olha, especialmente em pequena distância, mais estimula os canais perceptivos para o cérebro. Conforme o cérebro recebe mais e mais informações, há uma eventual acumulação de variedades de imagens visuais. É preciso já haver um sistema de significados, uma organização suficientemente avançada que possa ser modificada. Jamais pode haver uma ruptura radical entre o novo e o velho, ambos tem que vir num processo sistemático, lógico e complementar. Assim, influenciará para que estas fiquem registradas na memória e, como possuem significados, possam ser utilizadas durante processos de busca, relação e associação.
Portanto, só após um trabalho criterioso e bem dosado é que a criança com visão parcial desenvolverá sua capacidade, adquirindo habilidades para formação de atitudes e conceitos, e noções básicas que estimularão o seu desenvolvimento percepto-cognitivo, levando-a a buscar soluções para o crescimento de seu raciocínio lógico e abstrato, bem como para os problemas ligados à sua vida. Assim, posteriormente será capaz de identificar e discriminar letras, palavras e frases. Nesta fase, necessário se faz adaptar recursos didáticos e utilizar o sistema de escrita e leitura ideais para as condições visuais da criança com deficiência visual.
Participar dos mesmos períodos de adaptação escolar existente para crianças de visão normal é de grande importância para o desenvolvimento destas crianças. Contudo, existem algumas adaptações curriculares realizadas (currículos especiais) conhecidos como funcionais e ecológicos que envolvem atividades relacionadas ao desenvolvimento de habilidades básicas, consciência de si, cuidados pessoais e de vida diária, treinamento multissensorial, exercício da independência e relacionamento interpessoal, dentre as habilidades adaptativas.
Este processo diagnóstico diferencial é feito a partir de um trabalho com uma equipe multidisciplinar de especialistas e de diagnóstico concluído dentro do processo de discussão e elaboração de um pré-diagnóstico final.
Os avanços alcançados pelas áreas de Oftalmologia, Psicologia, Educação, Educação Especial e áreas correspondentes permitem equipar subsídios importantes, tanto no campo teórico quanto prático. Tais avanços nos fornecem melhor compreensão da criança deficiente e suas necessidades especiais, seu meio interno (variáveis psicomotoras, sócio-afetivas, cognitivas e lingüísticas) e sua realidade externa (a sociedade, a família e/ou a escola). A criança com baixa visão pode apresentar comprometimentos em diversas, mas não necessariamente em todas as áreas do seu desenvolvimento (Fleming, 1987) e pode ser considerada uma criança diferente em talentos e habilidades específicas (Cunha, 1996; Nunes, 1993).
Para poder realizar um diagnóstico diferencial (processo que possibilita discriminar, discernir, diferenciar duas ou mais condições semelhantes, explorar particularidades, indicadores que permitam essa diferenciação) tem que conhecer o estilo de aprendizagem da criança supostamente normal.
A criança normal apresenta um funcionamento geral psíquico sem alterações na esfera cognitiva, afetiva, físico-motora, o que determina o êxito na aprendizagem escolar. Isto não quer dizer que a criança não possa apresentar em seu desenvolvimento geral algumas funções alteradas em algumas fases da vida.
Para elaborar objetivamente o diagnóstico diferencial temos que especificar indicadores que permitam compará-lo com a norma e ser capaz de aprofundar em cada uma das funções psíquicas.
As deficiências de aprendizagem compreendem uma categoria aberta com variadas nomenclaturas, é por isso que tem uma heterogeneidade e se vê expressada ao agrupar déficit de aprendizagem que possa evidenciar-se no domínio cognitivo, afetivo, neuro-dinâmico dos processos nervosos, transtornos na comunicação e linguagem, influenciando significativamente a família, escola e sociedade. São estes:
- Perturbações em um ou mais processos de assimilação, afetando o processo da informação.
- Falhas podem ser encontradas na memória em longo e curto prazo.
- Baixa produtividade no pensamento e memória lógicos.
- Lentidão para estabelecer relação entre diferentes estímulos como elementos auxiliares do processo de memorização.
- Situação frustrante provocando fracasso escolar.
- Desajustes emocionais instáveis para atividade escolar.
- Tendências ao pouco controle dinâmico.
A detecção e prevenção das crianças com dificuldades na aprendizagem estão nas mãos do professor, já que é encarregado de identificar as mesmas, elaborar estratégias de intervenção que respondam às potencialidades e variabilidades da individualidade de cada aluno.
Nas dificuldades na aprendizagem, localizamos alguns destes sintomas, entretanto, se afetam algumas funções não apresentam caráter generalizado, ou seja, as alterações não são profundas podendo ser trabalhadas. Apresenta lentidão temporária no ritmo de aprendizagem em seu desenvolvimento e o potencial é obtido com níveis de ajuda, repetições constantes e conteúdos variados com uma gradual e cautelosa dosagem dos mesmos.

3 comentários:

  1. achei este saite muito importante sobre estimulaçao e rebilitaçao visual pois tenho duas crianças que nasceram com catarata, e ja fizeram cirurgia..e vamos começar a estimulaçao visuallll.....muito bom este saite

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  2. Parabéns pelo seu blog. Estou iniciando no Atendimento Educacional Especializado e seu blog me ajudou...

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  3. obrigada pelo carinho de vcs!!! Espero poder ajudar ainda mais... é maravilhoso!!!

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"Muitas mudanças ocorreram nos últimos vinte anos, quando teve início a prática da Baixa Visão em nosso país. O oftalmologista brasileiro, porém, ainda não se conscientizou da responsabilidade que lhe cabe ao determinar se o paciente deve ou não receber um tratamento específico nessa área. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes atendidos e tratados permanece sem orientação, convivendo, por muitos anos com uma condição de cegueira desnecessária." (VEITZMAN, 2000, p.3)

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FONTES PARA PESQUISA

  • A VIDA DO BEBÊ - DR. RINALDO DE LAMARE
  • COLEÇÃO DE MANUAIS BÁSICOS CBO - CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA
  • DIDÁTICA: UMA HISTÓRIA REFLEXIVA -PROFª ANGÉLICA RUSSO
  • EDUCAÇÃO INFANTIL: Estratégias o Orientação Pedagógica para Educação de Crianças com Necessidades Educativas Visuais - MARILDA M. G. BRUNO
  • REVISTA BENJAMIN CONSTANT - INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT